As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Sapatada em Bush ocorre quando presidente melhora performance no Iraque

gustavochacra

15 de dezembro de 2008 | 15h56

Todos já devem ter visto a imagem dos sapatos lançados por um jornalista iraquiano contra Geoge W. Bush na que foi provavelmente a última viagem do presidente dos Estados Unidos ao Iraque. Foi uma iniciativa individual do repórter, que certamente carrega um enorme simbolismo. Haverá os que defendam esta ação, outros que condenarão. Atingir alguém com um sapato é uma ofensa grave no islamismo. Os sapatos são considerados sujos. Tanto que, para visitar uma mesquita, é obrigatório ficar descalço.

A ironia do ataque é observar como as pessoas apoiavam Bush quando ele estava errado e, agora que o presidente tem tomado iniciativas corretas em relação ao Iraque, o renegam. Quando o líder americano ordenou a invasão ao Iraque, a maioria da população americana, grande parte de líderes mundiais e a futura secretária de Estado de Barack Obama, Hillary Clinton, apoiaram a operação. O objetivo inicial era eliminar as armas de destruição em massa, derrubar a ditadura de Saddam Hussein e democratizar o Iraque.

As armas não existiam, Saddam caiu, se escondeu, foi encontrado, preso e enforcado. O Iraque, hoje, é instável e está longe de ser uma democracia, mas bem mais próximo do que seus vizinhos. Já Bush, no último ano, acertou em muitas de suas políticas para o Iraque. Quando quase todos diziam que era hora de desocupar o país árabe por causa da guerra civil e do enorme número de baixas americanas e iraquianas, o presidente americano soube escutar seu novo secretário da Defesa, Robert Gates, e o comandante das Forças Americanas no Iraque, David Petraeus, e levou adiante o “surge” e a aliança com líderes tribais sunitas para lutarem contra grupos inspirados na Al Qaeda. Meses depois, o Iraque estava mais calmo, apesar de ainda haver focos de violência. Obama percebeu os acertos da atual administração, manteve Gates no posto do Pentágono e pede conselhos a Petraeus, que virou sinônimo de sucesso militar.

A sapatada, portanto, veio tarde. Agora, Bush entendeu seus erros e os corrigiu. Quando ele errava, a maioria concordava com ele. Talvez, se tivesse Gates e Petraeus desde o início, em vez de Donald Rumsfeld e Paul Bremmer – célebre administrador americano que desmantelou o Exército iraquiano no ínico da ocupação em uma das mais desastradas medidas da história – o resultado poderia ter sido diferente.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.