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Se Arafat foi assassinado, quem o matou?

gustavochacra

05 de julho de 2012 | 12h16

no twitter @gugachacra

No mundo árabe, para cada morte de uma liderança política, há dezenas de teorias da conspiração. Com Yasser Arafat, não poderia ser diferente. Desde 2004, já disseram que o líder palestino teria morrido de câncer, de AIDS (provocada por uma relação homossexual ou por injeção contaminada como o HIV) e, claro, por envenenamento. Os suspeitos seriam a CIA, o Mossad, a Síria, o Hamas e mesmo alguns de seus aliados. Oficialmente, a causa teria sido um derrame.

Ao longo dos anos, em uma região rica em notícias, o episódio Arafat aos poucos caiu no esquecimento, sendo discutido apenas ocasionalmente. Nesta semana, porém, uma reportagem da Al Jazeera reacendeu os debates sobre o que estaria por trás da morte dele. Os levantes na Síria e o novo governo do Egito foram colocados em segundo plano. Nas capitais árabes, o assunto dominante é o que teria acontecido com o líder palestino.

Segundo uma investigação da rede de TV do Qatar, Arafat pode ter sido envenenado com um elemento radioativo.  Cientistas da Universidade de Lausanne descobriram que roupas e objetos usados pelo então presidente palestino foram infectados com um nível elevado de Polonium.

Estas amostras, no entanto, são insuficientes para confirmar o envenenamento. Apenas indicam haver uma probabilidade elevada. A exumação do corpo talvez ajude a esclarecer a verdade. Se esta houver sido a causa da morte, deve haver revolta entre os palestinos. Apesar de muitas críticas ao período em que esteve no poder em Ramallah, Arafat ainda é o maior herói da população de lugares como Gaza, Hebron, Belém e Nablus.

Certamente, Israel e os EUA serão apontados no mundo árabe como suspeitos pelo envenenamento, se este for confirmado. Como no caso do assassinato de Rafik Hariri, no Líbano, talvez seja necessária uma investigação internacional para tentar esclarecer a morte.

Obviamente, tudo poderia ser mais simples se os médicos e o hospital francês divulgassem os históricos médicos do líder palestino. Desta forma, poderíamos confirmar uma teoria da conspiração ou a versão oficial de que teria sido um derrame.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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