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Se o sistema eleitoral no Brasil fosse como nos EUA, Aécio seria favorito?

gustavochacra

06 de outubro de 2014 | 12h36

Nos EUA, o presidente é eleito pelo maior número de votos no colégio eleitoral e não ao ser necessariamente o mais votado. Ao vencer a votação em um Estado, o presidente leva todos os votos daquele Estado no colégio eleitoral, a não ser em alguns pequenos Estados que alocam as vagas de seus delegados de forma diferente. Por exemplo, Obama, ao vencer na Califórnia, teve os 55 votos no colégio eleitoral daquele Estado e não uma proporção de sua totalidade. Desta forma, pode acontecer de um candidato com menos votos populares, como George W. Bush em 2000, ser eleito presidente por ter mais votos no colégio eleitoral.

Decidi aplicar esta forma, apenas como curiosidade, para as eleições no Brasil. Como não temos colégio eleitoral, aloquei o número de votos de acordo com o número de cadeiras que cada Estado possui na Câmara dos Deputados

70 SP, 16 SC, 30 PR, 8  MS, 8 MT, 17 GO, 8 DF, 10 ES, 8 RO, 8 RR, 8 AC, 31 RS, 46 RJ, 53 MG, 39 BA, 8 SE, 12 PB, 9 AL, 8 RN, 22 CE, 10 PI, 18 MA, 8 TO, 8 AM, 8 AP, 17 PA, 25 PE

Levando em consideração estes números, verificamos que

Aécio teria 183 votos no “colégio eleitoral” – 70 SP, 16 SC, 30 PR, 8  MS, 8 MT, 17 GO, 8 DF, 10 ES, 8 RO, 8 RR, 8 AC

Dilma teria 297 votos no “colégio eleitoral” – 31 RS, 46 RJ, 53 MG, 39 BA, 8 SE, 12 PB, 9 AL, 8 RN, 22 CE, 10 PI, 18 MA, 8 TO, 8 AM, 8 AP, 17 PA

 Marina teria 33 – 25 de Pernambuco e 8 do Acre

No segundo turno, obviamente, não haveria Marina. Automaticamente, Dilma levaria os 25 votos de Pernambuco, subindo para 322. E Aécio levaria os 8 do Acre, indo para 191

Mas, não podemos esquecer, em MG e RS a vitória de Dilma sobre Aécio foi apertada. Com a tendência, segundo analistas, de a maior parte dos eleitores de Marina migrarem para Aécio, o candidato do PSDB levaria os dois Estados no segundo turno. Poderia receber 53 votos de Minas e 31 do Rio Grande do Sul. Sem estes votos, Dilma cairia para 238. E Aécio subiria para 275. Agora, se não levasse um destes dois Estados (RS ou MG), Aécio perderia e Dilma seria reeleita. Seriam, literalmente, como Ohio e Flórida para os EUA – swing states

 Dá para arriscar que, se fosse colégio eleitoral no Brasil, Aécio seria favorito neste momento, dependendo de sua performance em Minas e no Rio Grande do Sul. Deixo aberto para os leitores opinarem e discordarem

Vale a pena observar como foram as disputas PSDB x PT desde 1994

1994 (só teve primeiro turno) – FHC teria massacrado Lula com 482 votos contra 31 (o então candidato do PT venceu apenas no Rio Grande do Sul). Seria uma espécie de Reagan versus Mondale

1998 (só teve primeiro turno) – FHC novamente venceu com facilidade Lula, embora por uma diferença menor. Teria 414, contra 77 de Lula (venceu no RS de novo e no RJ) e 22 de Ciro no Ceará. Vale notar que o PSDB dominava o nordeste nesta época

2002 – Lula massacraria Serra em 2002, no segundo turno, vencendo em todos os Estados menos Alagoas. O resultado seria 504 a 9 a favor de Lula

2006 – Lula venceria, no segundo turno, mas por uma margem bem menor do que quatro anos antes. Teria 342 votos contra 171 de Alckmin. O candidato do PSDB dominou todo o sul, tirando do PT o RS, além de SP, MS, MT e RR

2010 – Dilma venceria, no segundo turno, na mais apertada eleição até agora, tendo 299 votos contra 214 de Serra. O Brasil ficou dividido ao meio, com o sul, metade do Sudeste (SP e ES), o Centro-Oeste (menos DF) e parte dos Estados do Norte (RO, RR e AC) com o PSDB. O Nordeste, metade do sudeste (RJ e ES) e parte dos Estados do Norte (TO, AM, PA e AP), além do DF, com Dilma

Diante destes resultados, dá para concluir que o Brasil se uniu ao redor de FHC em suas duas eleições e ao redor de Lula em sua primeira eleição. A partir de 2006, começou a haver uma separação cada vez maior entre o Sul, Centro-Oeste e SP do restante do Nordeste e RJ, com o Norte dividido. Esta divisão se acentuou em 2010, embora ainda favorável ao PT, e está chegando ao seu ponto máximo nesta eleição

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