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Veja a diferença entre ser liberal nos EUA e ser liberal no Brasil

gustavochacra

18 de fevereiro de 2014 | 13h54

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Nos Estados Unidos, ser liberal equivale a ser de esquerda. A direita seria conservadora. O Partido Democrata é liberal. O Republicano, conservador, apesar da ala libertária. É diferente do Brasil, onde liberal é associado à direta e tem uma conotação distinta, similar à europeia, de Estado Mínimo.

Os valores liberais nos EUA aceitam uma maior intervenção do Estado na economia. Não que queiram um socialismo ou mesmo uma social-democracia nos moldes da Escandinávia ou da França. Mas algumas políticas keynesiana em determinados momentos de crise e regulamentação de determinados setores. Alguns presidentes democratas, como Bill Clinton, porém, desregulamentaram a economia, não sendo intervencionistas.

Na política externa, em teoria, os liberais seriam a favor da defesa dos direitos humanos internacionais, intervenções em defesa da paz e contrários a ataques preventivos. Portanto seriam a favor de ações como a da Bósnia, mas não como a do Iraque. Na prática, porém, os democratas tendem a ser realistas, como Obama. Não intervêm na Síria por saberem que esta alternativa não funcionaria. E realizam ataques preventivos com Drones.

Nas áreas sociais, os liberais são, atualmente, a favor do direito ao aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da legalização da maconha, de maior acesso à saúde, da restrição ao porte de arma e da preocupação com as mudanças climáticas. Os democratas, em sua maioria, defendem todas estas políticas.

Os valores conservadores, por outro lado, são contrários a um envolvimento do Estado na economia. O livre mercado seria a melhor solução. Este seria, inclusive, o segredo de a economia americana ser a mais inovadora do mundo. Normalmente, os republicanos praticam estas políticas. Mas George W. Bush foi um dos presidentes que mais intervieram na economia, especialmente depois do colapso de 2008, quando praticamente estatizou da General Motors, além de adotar políticas keynesianas para tentar evitar uma nova depressão. Já a ala libertária defende até mesmo o fim do FED (Federal Reserve, Banco Central dos EUA).

Na política externa, os republicanos eram tradicionalmente realistas. Mas, com Bush, passaram a ser intervencionistas, com ataques preventivos, como no Iraque. Atualmente, uma ala isolacionistas, que também foi forte no passado, ganha cada vez mais espaço, sendo contra o envolvimento dos EUA em outros conflitos. Estes isolacionistas são capitaneados pelos libertários, que são contra políticas como a dos Drones (levadas adiante pelo suposto liberal Obama) e a espionagem da NSA (Snowden é republicano e libertário).

Na área social, os conservadores são contra o direito ao aborto, ao casamento de pessoas do mesmo sexo, à legalização da maconha, a saúde socializada, a restrições ao porte de armas e não acham que as mudanças climáticas sejam causadas pelos homens. Mas há muitos republicanos, como o novo prefeito de San Diego e jovens libertários, que defendem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o direito ao aborto e a legalização da maconha. Outros grupos nas grandes cidades também são a favor de restrições ao porte de arma.

Os independentes, como ex-prefeito de NY Michael Bloomberg, são favor dos democratas na área social e dos republicanos na econômica. Outros são a favor dos democratas na economia, mas dos republicanos na social.

Noto, porém, que no Brasil alguns liberais, no sentido britânico, em economia, são conservadores em questões sociais, sendo, portanto, próximos da ala mais conservadora do Partido Republicano.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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