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Sem julgamento, Irã foi condenado por plano contra saudita

gustavochacra

21 de novembro de 2011 | 01h08

no twitter @gugachacra

Na sexta-feira, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução condenando os planos atribuídos ao Irã para assassinar o embaixador da Arábia Saudita em Washington. Foram 106 votos a favor e nove contra. Outros 40 países, incluindo os membros do BRICS e o MERCOSUL, se abstiveram na votação do texto que tem peso simbólico. Se fosse no Conselho de Segurança, que é o órgão decisório máximo das Nações Unidas, seria vetada pela China e pela Rússia.

O Brasil justificou a abstenção dizendo que não pode apoiar esta resolução pois existe a presunção da inocência, uma vez que o Irã é apenas acusado pelos Estados Unidos de estar por trás dos atentados, não tendo havido até agora um julgamento sobre o caso ou direito de defesa. O regime iraniano, inclusive, nega envolvimento em planos para matar o embaixador saudita, Adel al-Jubeir.

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, celebrou, por sua vez, a decisão dizendo que “o Irã está cada vez mais isolado nas Nações Unidas”.

Desta vez, os BRICS estão corretos e os EUA, errados. O FBI apenas acusa o membros do regime iraniano em uma história no mínimo controversa. As supostas provas não foram apresentadas ao Brasil e aos outros países que se opuseram à resolução. Como os brasileiros poderiam votar a favor.

Vale lembrar, porém, que Irã merece ser alvo de resolução a ser votada nesta semana na Assembleia Geral por violar os direitos humanos. Não faltam evidências para punir o regime de Teerã. O mesmo vale para a questão atômica, onde os iranianos claramente não  respeitam o Tratado de Não Proliferação Nuclear e foram alvo de censura na Agência Internacional de Energia Atômica.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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