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Será mais difícil atacar o Irã sem Ahmadinejad no poder

gustavochacra

17 de junho de 2013 | 13h17

Quando Mahmoud Ahmadinejad era presidente, opositores do regime iraniano alertavam para os riscos de Teerã desenvolver uma bomba atômica. O argumento costumava ser as declarações do presidente do Irã. Como sabemos, ele questionou o Holocausto, o 11 de Setembro e teria, segundo algumas traduções (outras dizem o contrário), pedido para varrer Israel do mapa.

Nestes últimos oito anos, Ahmadinejad serviu como uma arma de PR dos inimigos do Irã. Era fácil acusar o regime iraniano de ser perigoso tendo um presidente como ele. A chegada de Hassan Rowhani, um moderado para padrões iranianos, ao poder, tornou esta tarefa mais difícil.

Alguns dos adversários do Irã começaram a usar o argumento, depois da eleição de Rowhani, de que o poder, na realidade, está nas mãos do líder supremo, aiatolá Ali Khamanei. Verdade, em questões nucleares, ele tem a decisão final. Mas, neste caso, por que falavam tanto de Ahmadinejad se o presidente não manda nada? As declarações dele seriam irrelevantes para o programa nuclear iraniano, certo?

Na minha avaliação, se eu fosse israelense ou saudita, faria de tudo para impedir o Irã de ter uma bomba atômica. Uma bomba nas mãos dos iranianos alteraria a balança de poder na região. Se eu fosse membro do regime de Teerã, faria de tudo para ter este armamento pois isso aumentaria a segurança deles – basta ver o que ocorreu com Muamar Kadafi, que abdicou e foi derrubado em intervenção da OTAN aliada a rebeldes líbios, e com a Coreia do Norte, firme e forte por ter a bomba atômica.

No fim, este impasse pode culminar em uma operação preventiva de Israel em parceria com os EUA ou pode terminar com o regime de Teerã dominando o ciclo de enriquecimento de urânio para produzir uma bomba. Mas, claro, será bem mais difícil para o governo americano e para Israel conseguirem apoio internacional para uma ação destas com Rowhani no poder. Teria sido mais simples quando Ahmadinejad era a cara do Irã. Não é mais.

 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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