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Sete motivos para os EUA e o Irã dialogarem neste momento

gustavochacra

20 de setembro de 2013 | 09h51

Os EUA, com cautela, deveriam apostar em uma negociação com o Irã neste momento. Diversos fatores contribuem para um diálogo que possa resultar em uma solução para questão nuclear iraniana.

1. o novo presidente do Irã, Hassan Rouhani, deu claros sinais de moderação. Falou publicamente que seu governo não visa produzir armamentos de destruição em massa, incluindo atômicos. Tem evitado também dar declarações polêmicas e ofensivas, diferentemente de seu antecessor, Mahmoud Ahmadinejad.

2. Rouhani e o presidente dos EUA, Barack Obama, vêm trocando cartas, em sinal de boas intenções dos dois lados. É o primeiro passo para, em seguida, haver avanço no campo diplomático.

3. as negociações nucleares não estão mais com os militares. O líder supremo, aiatolá Ali Khamanei, as transferiu para o Ministério das Relações Exteriores, controlado por Mohammad Javad Zarif, um diplomata de enorme experiência, tendo sido embaixador na ONU e vivido anos nos EUA. Mais importante, Khamanei deu poderes para Rouhani chegar a um acordo.

4. as sanções têm afetado duramente a economia iraniana. Desta vez, parecem ter funcionado. O regime percebeu que, na balança, talvez seja preferível abdicar do programa nuclear em troca do fim das medidas punitivas contra o país.

5. o Irã viu que o Ocidente está relutante até mesmo de intervir na Síria, onde o regime cometeu crimes contra a humanidade, segundo a ONU, teria usado armas químicas, enfrenta uma guerra civil e possui um poderio militar equivalente a uma fração do Teerã. Uma ação contra os iranianos seria ainda mais complicada, não havendo, portanto, a necessidade de uma arma atômica para dissuasão.

6. o Irã é visto como fundamental para a resolução das guerras civis na Síria e no Iraque. Especialmente no segundo caso, há interesses comuns entra Washington e Teerã.

7. não há muito sentido em o Irã ser inimigo tanto dos EUA quanto de Israel. Estes países não possuem fronteiras e suas economias são complementares. Teerã poderia ser, para os americanos, uma mistura de Turquia e Arábia Saudita. E todos teriam a ganhar em um acordo de paz entre todos os lados.

Ainda assim, sempre é importante manter a cautela e jogar com calma. Israel deve insistir no tom duro, pois assim a possibilidade de ação militar não fica fora da mesa, servindo de incentivo para os iranianos negociarem.

Na semana que vem, talvez tenhamos um divisor de águas com um possível aperto de mãos entre Obama e Rouhani na ONU.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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