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“Sex and the City” libanês

gustavochacra

19 de outubro de 2008 | 09h11

Vinte anos atrás, os programas de TV assistidos pelo mundo eram diferentes dependendo do lugar em que a pessoa estava. Sem os canais a cabo, as séries eram muitas vezes nacionais ou algumas poucas internacionais, sempre traduzidas.

Agora, em quase todas as grandes cidades do mundo, adolescentes, jovens e idosos de uma semelhante classe média alta assistem aos mesmos programas. Sex and the City é um deles. E, independentemente de um grupo de amigas estar em São Paulo, Buenos Aires, Tóquio, Barcelona, Chicago, Tel Aviv ou Beirute, de alguma forma elas conseguem se espelhar nas personagens Carrie, Charlote, Miranda e Samantha.

O que muda, dependendo do país, são os problemas. No Líbano, ontem, jantei com um grupo de amigos que incluía quatro mulheres na faixa dos 20 aos 30 anos. Cada uma com uma questão de relacionamento diferente que, de certa forma, demonstra as contradições da sociedade libanesa.

Uma delas estava chateada porque o marido não conseguiu pegar a tempo o vôo que o traria de Dubai, onde trabalha, para Beirute, onde passa os fins de semana com a mulher. Assim como a maior parte dos libaneses com educação superior, ele teve que se mudar para o golfo por causa do emprego. Os libaneses são considerados mão-de-obra ultra qualificada, por falarem inglês, francês e árabe, mas não têm muita oferta de trabalho no próprio país.

A outra estava desesperada porque sua família não quer aceitar que ela pretende se casar com um homem de outra religião. Isso acontece entre cristãos, sunitas, xiitas e drusos. E mesmo nas famílias mais liberais. Namoro não tem tanto problema, mas quando o tema é casamento, a situação fica complicada.

Uma terceira também tentava convencer as amigas que o namorado, bem mais novo, ainda começando a universidade e trabalhando como barman, seria um bom partido. As demais não se conformavam que a amiga, na idade dela (25 anos), não estivesse preocupada em arrumar um homem para se casar.

A última e mais velha, já com 30, acabou de voltar de San Francisco, onde viveu dez anos, e tenta se adaptar às normas da sociedade libanesa, mas enfrenta dificuldades por ter se tornado vegetariana e ultra-liberal.

Todas conversavam em inglês em um restaurante chinês em Beirute, após assistirem a uma peça de teatro que se passa na Cisjordânia e Israel – “Sharon e minha sogra”, baseado no livro da palestina Suad Amiry .

Para quem quiser entender como funciona o “Sex and the City” libanês, vale a pena assistir ao filme “Caramel”, de Nadine Labaki.

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