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Shimon Peres quer amigos no Facebook, mas nunca irá encontrá-los no Líbano

gustavochacra

09 de março de 2012 | 18h20

no twitter @gugachacra

O presidente de Israel, Shimon Peres, fez um vídeo no YouTube em busca de “amigos para a paz” no Facebook. No vídeo, o líder israelense aparece ao lado de uma série de lideranças internacionais e celebridades. A iniciativa, sem dúvida, é importante e não duvido das intenções dele.

Mas não dá para ignorar a ausência de libaneses ou de líderes cristãos do mundo árabe. No primeiro caso, certamente porque Peres, apesar da imagem internacional de pacifista, talvez seja o líder israelense mais odiado da história libanesa. No país, ninguém esquece do massacre de Qana, em 1996, quando o então premiê de Israel ordenou um bombardeio contra  abrigo da ONU, matando mais de cem mulheres e crianças.

Os cristãos árabes costumam ter um sentimento anti-Israel. Verdade, em 1982, libaneses da Phalange, de Bashir Gemayel, trabalharam junto com os israelenses e levaram adiante o massacre de Sabra e Shatila. A milícia Exército do Sul do Líbano, composta por cristãos e xiitas, também lutou ao lado da ocupação ao sul do rio Litani.

Por outro lado, especialmente na Palestina e em Israel, os cristãos árabes sempre estiveram na vanguarda da luta contra os israelenses. Os cristãos sírios nunca simpatizaram com seus vizinhos do outro lado das colinas do Golã, sempre em uma árdua defesa do regime de Bashar al Assad. No Líbano, a simpatia que existia entre algumas facções cristãs está praticamente extinta.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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