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Síria provoca nova Guerra Fria entre EUA e Rússia

gustavochacra

14 de junho de 2012 | 11h42

no twitter @gugachacra

As relações entre os Estados Unidos e a Rússia, que haviam melhorado no início do mandato de Barack Obama, se deterioram desde o retorno de Vladimir Putin ao poder em Moscou, lembrando os tempos da Guerra Fria. O principal foco das disputas envolvendo as duas potências nucleares é a Síria.

Os dois países adotam narrativas antagônicas sobre os acontecimentos no território sírio. Oficialmente, os EUA afirmam que se trata de um regime ditatorial massacrando manifestantes a favor da democracia. A Rússia diz que, na verdade, o regime de Assad, apoiado por alauítas, cristãos e sunitas seculares, se defende de milícias radicais sunitas armadas por nações do Golfo.

Claro, além de suas versões oficiais, as duas potências nuclears sabem que o cenário é bem mais complexo. Mas os dois lados, mesmo divergindo, vinham mantendo uma espécie de cooperação nos últimos meses ao defenderem a implementação do plano de Kofi Annan para a resolução da crise até tudo se deteriorar e Moscou e Washington decidirem lavar a roupa suja em público.

Os EUA, por meio da secretária de Estado, Hillary Clinton, acusou a Rússia de enviar helicópteros de ataque para as forças de segurança de Bashar al Assad. Na verdade, a chefe da diplomacia americana deu uma informação incompleta, já que os aparelhos eram sírios e, conforme previa contrato, passaram por uma revisão em Moscou. Mesmo uma venda não seria ilegal porque a Síria não é alvo de embargo de armas imposto pelo Conselho de Segurança da ONU. Mas moralmente a imagem russa pode ficar arranhada ao armar um regime acusado de massacres.

Depois, o chanceler russo Sergei Lavrov acusou o governo americano de estar armando outros países  do Golfo que também reprimem a oposição, em clara alusão a Bahrain. O Departamento de Estado se defende dizendo que os armamentos vendidos não são usados para reprimir os protestos.

Independentemente do que seja verdade nestas declarações, o certo é que ficará cada vez mais difícil um acordo entre russos e americanos para tentar solucionar a crise síria. Se é que este conflito, agora classificado como guerra civil, tenha solução.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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