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Sírios pró-regime – “Bashar para a clínica e Maher no poder”

gustavochacra

19 de junho de 2012 | 12h30

no twitter @gugachacra

Bashar al Assad começa a se enfraquecer na sua base de suporte na Síria, que inclui a maior parte das minorias alauítas e cristãs, além da elite sunita em Damasco e Aleppo. Mas o problema não são os massacres contra os opositores. Na verdade, a insatisfação é com a pouca eficácia de suas ações e o seu perfil príncipe Charles – perfeito para tempos de paz e péssimo para tempos de guerra. Isto é, para os simpatizantes do regime, ele matou pouco, não muito, apesar das 10 mil vítimas do conflito até agora.

Os defensores do regime querem alguém mais forte, no comando das forças de segurança, combatendo o que eles consideram ser seus inimigos mortais – as milícias armadas da oposição aliadas da Arábia Saudita e do Qatar. Eles querem que alguém “resolva” a instabilidade de uma vez por todas e retorne a Síria para 2010.

Basicamente, alguém como o “velho Hafez”. O pai de Bashar, em um dos maiores massacres da violenta história do Oriente Médio, acabou com os movimentos anti-regime em 1982. Claro, ele não tinha a internet e as imagens como adversário, diferentemente de hoje.

Mesmo assim, os simpatizantes do regime acham que alguém com um calibre mais forte, mais militar, mais duro, poderia resolver a questão por meio de, por incrível que pareça, mais mortes. E eles acreditam que esta pessoa seja Maher al Assad, o irmão caçula de Bashar, comandante da Guarda Republicana e da Quarta Divisão Armada.

Nas ruas de vilas alauítas e sírias, os gritos de guerra são “Bashar para a clínica e Maher no poder” – o atual líder sírio é oftalmologista. Se o cenário se deteriorar, e vai se deteriorar, a chance de troca de irmãos no comando deve crescer.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios