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Solução ‘iemenita’, defendida pelos EUA, não impedirá guerra civil na Síria

gustavochacra

08 de junho de 2012 | 11h23

no twitter @gugachacra

O Iêmen, e não a Líbia, tem sido usado como exemplo nas Nações Unidas para resolver a crise síria. Na solução apelidada de “iemenita” e defendida abertamente pela secretária de Estado, Hillary Clinton, ontem em Istambul, Bashar al Assad seria removido do poder por convencimento, como aconteceu com Abdullah Saleh, em Sanaa, e não por meio de uma intervenção militar da OTAN, como foi o caso de Muamar Kadafi, em Trípoli.

O problema é que a solução iemenita serviu apenas para retirar Saleh do poder, mas não para conter a instabilidade no Iêmen, ao contrário do que afirma a secretária de Estado. Os levantes houthis no norte iemenita se intensificaram, o movimento separatista no sul ganhou força e no mês passado um atentado da Al Qaeda na Península Arabíca matou quase cem pessoas em Sanaa. As forças leais ao ex-presidente também continuam ativas, incluindo membros de sua família, e elas chegaram a tomar o aeroporto da capital por alguns dias.

Além disso, há duas diferenças em relação à Síria. No caso iemenita, Saleh dependia da Arábia Saudita para se manter no poder. E a monarquia em Riad acabou o pressionando para deixar o cargo. Em Damasco, Assad ainda conta o importante suporte da Rússia, ainda relutante em deixar de bancar o seu aliado. Isso sem falar no Irã, principal parceiro de Damasco.

Por último, no Iêmen, não existiam conflitos sectários, mas apenas tribais. Em determinadas regiões da Síria, como Homs, existe uma guerra civil com alauítas e cristãos, a favor de Assad, lutando contra sunitas, da oposição. A saída do líder não alteraria em nada estes conflitos. Talvez, até incentivem revides contra as minorias cristãs e alauítas.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios