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“Such as Brazil and India”, mas temos a Gisele Bundchen e mais violência

gustavochacra

19 de setembro de 2009 | 23h31

A modelo Gisele Bündchen será nomeada hoje, domingo, embaixadora das Nações Unidas para o meio-ambiente. Alguns dirão que a escolha apenas acentua o clichê de que o Brasil é um país visto apenas como um lugar de craques de futebol, pilotos de Fórmula 1, boa música e mulheres bonitas.

Discordo. Esta imagem não corresponde à realidade atual de como veem nosso país nos Estados Unidos e em partes da Europa. O Brasil ganhou respeito nas últimas décadas como uma das grandes potências emergentes. Neste fim de semana, um exemplo caro do fortalecimento da imagem brasileira está nas páginas da revista britânica The Economist. De seis editoriais publicados semanalmente, três citam o Brasil.

No primeiro deles, a revista, ao criticar o protecionismo do presidente Barack Obama, que impôs tarifa para a importação de pneus chineses, a revista diz que, com a medida, os importadores simplesmente comprarão os produtos em lugares de “custo reduzido, como índia e Brasil”. O seguinte editorial trata do FMI e afirma, no fim do texto, que o órgão necessita de reforma, ressaltando que o Brasil precisa ter mais votos do que a Bélgica. Ao comentar, em mais um editorial, a indústria automobilística, a The Economist escreve que os fabricantes de carros concordam que todo o futuro crescimento do setor virá de países emergentes “como o Brasil e a Índia”.

Claro, ainda temos uma vantagem em relação à Índia e a China. Nossas mulheres são mais bonitas, conquistamos cinco Copas do Mundo, o Rubinho ainda pode se juntar a Piquet, Senna e Fittipaldi e nossas músicas são tocadas em bares de todo o mundo e mesmo o jiu-jitsu (os Grace são alguns dos brasileiros mais famosos dos EUA) e a capoeira (moda até no Líbano e em Israel) conquistam espaço. Seria o que os americanos chamam de “soft-power”. Como a índia, e diferentemente da China, somos uma democracia. Verdade, existe corrupção, mas este defeito não é apenas brasileiro, existindo entre chineses e indianos. Talvez a nossa maior desvantagem na imagem externa seja a violência urbana. Se Slamdog Milionaire mostrou a criminalidade da Índia, Cidade de Deus registrou a bem mais violenta realidade brasileira.

Em breve, a revista New Yorker publicará uma longa reportagem sobre o Brasil como “failed state”, ou Estado fracassado, por não conseguir controlar todas as partes do território. No caso, favelas nos morros do Rio de Janeiro. Não muito diferente do Líbano, que não exerce soberania sobre algumas áreas sob domínio do Hezbollah.

Eid el Mubarak!

Parabéns aos muçulmanos pelas celebrações do Eid el Filtr

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