Sul do Líbano teve destruição maior, mas Faixa de Gaza é mais triste
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Sul do Líbano teve destruição maior, mas Faixa de Gaza é mais triste

gustavochacra

26 de janeiro de 2009 | 07h02

Visitei o sul do Líbano depois da guerra envolvendo Hezbollah e Israel, em 2006, e a Faixa de Gaza, após o conflito dos israelenses contra o Hamas. O território libanês sofreu maior destruição, mas o cenário na área palestina é mais triste. Os moradores das regiões controladas pelo Hezbollah puderam fugir para Beirute, Sidon e mesmo para a Síria. Foram acolhidos. A ajuda humanitária já estava no Líbano, podia entrar através da fronteira com o território sírio ou mesmo pelo mar. Muitos civis morreram, é verdade. Mas a população pôde viver por um bom tempo longe dos destroços e dos corpos não recolhidos, além de ter o apoio imediato do Qatar, do governo libanês e do próprio Hezbollah para reconstruir as suas cidades. Não sofriam com o bloqueio. Eram pessoas que tinham para onde ir.

Gaza é bem maior do que as vilas libanesas, como Bint Jbeil, onde não vi uma construção sequer de pé. Apesar da enorme devastação no território palestino, há áreas que não sofreram tanto com os bombardeios. Mas os moradores estiveram o tempo todo debaixo das bombas, no meio do tiroteio, sem ter para onde fugir e tampouco em condições de receber ajuda. Se em Qana havia dezenas de jornalistas e fotógrafos para registrar o ataque que matou cerca de 30 libaneses, nenhum olhar pôde relatar para o mundo como foi o ataque israelense que matou dezenas de uma mesma família em Zeitoun. Chegamos uma semana atrasados. Vimos as galinhas mortas, mas não os corpos de palestinos que morreram por não ter como deixar a prisão controlada pelo Hamas onde vivem.

Lembro que, no sul do Líbano, Israel tampouco abriu a sua fronteira. E ninguém pediu. Primeiro porque os israelenses não têm qualquer obrigação no sul do Líbano, que é parte de um país independente. Com Gaza, Israel tem, pois impede o uso do mar e do espaço aéreo – sei que é por questões de segurança, mas isso não elimina a responsabilidade israelense. Em segundo lugar, porque a Síria, ao contrário do Egito, abriu as suas portas. Assim como fez com os refugiados iraquianos, recebidos com todo o apoio do regime de Bashar Al Assad. Hosni Mubarak lacrou Rafah.

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