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Teoria dos jogos aplicada à decisão palestina de ir à ONU

gustavochacra

19 Setembro 2011 | 10h25

no twitter @gugachacra

Vamos aplicar um pouco de teoria dos jogos básica para o atual impasse envolvendo o reconhecimento do Estado palestino.

A Autoridade Palestina possui três opções

1. Tentar o reconhecimento do Estado como membro pleno das Nações Unidas. Neste caso, precisaria da aprovação do Conselho de Segurança e de dois terços da Assembleia Geral

2. Tentar o reconhecimento da Palestina como Estado observador da ONU, elevando o status da atual condição de entidade observadora. Neste caso, precisa de aprovação de maioria simples na Assembleia Geral

 3. Não ir às Nações Unidas

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Caso optem por 1, os palestinos terão como resultado certo

. veto dos Estados Unidos e não aprovação do CS

. não aceitação da Palestina como membro pleno da ONU

 E, caso optem por 1, terão como resultados possíveis

. isolamento dos EUA, caso seja o único a vetar ou a ir contra

. derrota moral caso as nações européias e mais algum outro país do CS não votem a favor, o que daria menos do que o mínimo de nove votos necessários

. fim das negociações com Israel  e sanções impostas por israelenses e americanos

. Protestos contra a Autoridade Palestina

. Onda de violências contra Israel

Portanto, na opção 1, os palestinos teriam como certa uma derrota real e, na área moral, o resultado é imprevisível. Portanto seria uma alternativa arriscada

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Caso optem por 2, os palestinos terão como resultado certo

. aprovação da Palestina como Estado observador da ONU

 E, caso optem por 2, terão como resultados possíveis

. isolamento dos EUA, caso os americanos votem contra

. apoio da maior parte da comunidade internacional

. retorno às negociações com Israel com um maior poder de barganha

. fim das negociações com Israel e sanções impostas por israelenses e americanos

Portanto, na opção 2, os palestinos teriam uma vitória real e também moral. Mas as conseqüências para o processo de paz seriam difíceis de prever

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Caso optem por 3, os palestinos teriam como resultado certo

. Manutenção do status quo, sem um Estado

. Retorno às negociações com Israel que não evoluíram em 20 anos

E, caso optem por 3, teriam como resultados possíveis

. Protestos contra a Autoridade Palestina na Cisjordânia

. Onda de violência contra Israel

Portanto, a não ida para a ONU dificilmente seria positiva para os palestinos no curto ou médio prazo

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 Levando estes pontos em conta, acredito que a melhor (ou a menos negativa) opção para os palestinos, neste momento, seja 2. Talvez (não garanto) aplique teoria  dos jogos para Israel ou EUA amanhã

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios