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Teoria dos Jogos para entender o dilema de Assad – “Abdicar ou Não das armas químicas?”

gustavochacra

09 Setembro 2013 | 13h38

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A Rússia fez uma proposta que pode ajudar a levar a um consenso da comunidade internacional para tentar resolver a crise síria. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, propôs que o regime de Bashar al Assad abdique de seus armamentos químicos em troca de os EUA não bombardearem a Síria.

A proposta altera completamente a equação da teoria dos jogos para todos os países, incluindo a Rússia. Na prática, uma solução pode beneficiar a todos.

 Como a resposta está com Assad, resumindo, é o seguinte

 Assad pode aceitar ou não aceitar abdicar de suas armas químicas. Se aceitar, não será bombardeado e manterá o apoio da Rússia, mas perderá seu poder de dissuasão. Se não aceitar, será bombardeado e pode perder o apoio da Rússia, mas manterá seu poder de dissuasão.

Obs. A Síria teria recebido bem a proposta e, talvez, a Rússia a teria feito depois de consultar Damasco. Veremos

Abaixo, detalhes de todos os lados envolvidos

A partir de agora, Assad se vê diante do seguinte cenário

 OPÇÃO 1 – ASSAD ACEITA ABDICAR DAS ARMAS QUÍMICAS

Pontos positivos…

 ….para Assad

– Não será bombardeado

– Poderá se concentrar na sua guerra civil, que vinha vencendo, sem ser incomodado

– Terá um fortalecimento na sua imagem internacional por ter aceitado negociar

– Não perderá o apoio da Rússia

 …para Obama

– Não precisará se envolver em mais um conflito no Oriente Médio

– Não será desgastado por uma possível derrota no Congresso

– Verá uma nova união da comunidade internacional diante da crise

– Terá atingido o seu objetivo de impedir o uso de armamentos químicos

 ….para Putin

– Sairá fortalecido por ter sido o responsável pela solução do conflito

– Terá impedido o bombardeamento de um aliado

– Não verá interferência ocidental no conflito sírio

 …para a oposição

– Não será alvejada por armamentos químicos

– Observará a Rússia adotando um tom mais duro com Assad, não aceitando que o regime atue isoladamente

 Pontos negativos…

 …para Assad

– Verá a sua soberania ferida

– Perderá a sua mais importante arma de dissuasão

– Precisará bater de frente com membros do regime

– Domesticamente, talvez seja visto como derrotado

 …para Obama

– Terá de aceitar que a Rússia foi a responsável pela solução

– Não terá mais uma brecha para intervir no conflito da Síria, talvez vendo Assad vencer a guerra, fortalecendo o Irã e o Hezbollah

– Sentirá uma pressão internacional para que Israel e Egito aceitem o protocolo adicional do tratado sobre armas químicas

 …para Putin

– Poderá ver um enfraquecimento de Assad

 …para a Oposição

– Não terá o apoio de uma intervenção internacional e se enfraquecerá

ASSAD NÃO ACEITA ABDICAR DAS ARMAS QUÍMICAS

 Pontos positivos…

 … para Assad

– Não perderá sua principal arma de dissuasão contra interferência externa

….para Obama

– Terá o argumento de que deu uma chance para Assad e agora tem o direito de agir

– Terá apoio internacional, talvez até da Rússia, para uma intervenção

– Domesticamente, também provará que a questão das armas químicas na Síria não é igual ao Iraque

 …. para Putin

– Poderá dizer que tentou uma solução pacífica até o fim

…. para Oposição

– Terá o apoio de uma intervenção externa, com possível mudança na balança de poder

 Pontos Negativos…

 ….para Assad

– Perderá o apoio da Rússia, que é o mais importante para a sua manutenção no poder

– Será alvo de uma intervenção, talvez com o aval do Conselho de Segurança

 ….para Obama

– Precisará se envolver em um conflito internacional, apesar da oposição da maior parte dos americanos

– Correrá o risco de ver o fortalecimento de rebeldes da Al Qaeda na oposição

 …. para Putin

– Será forçado a aceitar uma ação mais dura contra a Síria

 …para Oposição

– Com Assad isolado, o regime poderá incrementar ainda mais seus ataques, especialmente se for alvo de intervenção estrangeira

 Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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