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Teoria dos Jogos para saber os próximos passos de Abbas e Nentanyahu

gustavochacra

23 Setembro 2011 | 16h24

no twitter @gugachacra

Acompanhem a cobertura ao vivo da iniciativa palestina na ONU no Portal do Estadão

A Palestina moveu as duas primeiras peças hoje no tabuleiro da crise no Oriente Médio. Primeiro, Mahmoud Abbas apresentou a Ban ki-moon o pedido de reconhecimento do Estado. Em seguida delineou a sua proposta de paz no plenário da Assembleia  Geral (fronteiras pré-1967, capital em Jerusalém Oriental e uma solução para a questão dos refugiados)

Sabendo do movimento palestino, Israel mostrou as suas cartas no discurso de Benjamin Netanyahu. O líder israelense defendeu negociações “incondicionais”  com a condição de o Estado palestino ser desmilitarizado, sem Jerusalém e em uma área da Cisjordânia que não ofereça riscos à segurança do país, além da presença do Exército de Israel no vale do rio Jordão

Levando em conta as movimentações dos dois lados, o Quarteto delineou uma proposta para palestinos e israelenses apresentarem sugestões em até 3 meses. Em seis, precisam ocorrer progressos substanciais das duas partes. Um acordo seria assinado antes do fim do ano que vem. Em seguida, o Líbano, que presidente o Conselho de Segurança, anunciou que uma reunião para analisar o pedido palestino acontecerá na segunda

No caso, Abbas terá três opções

 1. poderá aceitar dialogar imediatamente, tendo a cartada de poder insistir em voltar a qualquer momento para o Conselho de Segurança. Neste caso, terá maior poder de barganha. O risco para Abbas será internamente na Cisjordânia, onde podem encarar o adiamento como uma derrota

Resultado – Vitória Externa; Incerteza Interna

 2. pode abdicar do Conselho de Segurança e aceitar a proposta francesa de tentar ser um Estado com status de observador. E, mesmo assim, poderia negociar com os israelenses com poder de barganha maior. Neste caso, teria amplo apoio internacional e precisaria explicar internamente a mudança. O ideal era optar por esta alternativa antes de apresentar o requerimento a Ban ki-moon

Resultado – Vitória Externa, Derrota Interna

 3. rejeitar uma negociação no momento, ver os EUA usarem o poder de veto no Conselho de Segurança, perder a ajuda financeira e ver a manutenção do status quo na realidade da Cisjordânia. Seria visto como herói no mundo árabe, mas as consequências para o dia a dia dos palestinos seriam graves

Resultado – Incerteza Externa e Incerteza Interna

 Se Abbas optar por “1”, Netanyahu poderá

A. negociar, sabendo não ter a mesma força das outras vezes. Neste caso, precisaria ceder em pontos inaceitáveis para a sua coalizão de governo. Mas o elogiariam por tentar a paz

B. recusar, sendo mais isolado na comunidade internacional, onde até Bill Clinton e o New York Times o criticam publicamente. Mas se veria fortalecido dentro diante israelense. Os palestinos poderiam demandar a cidadania israelense, vendo frustrado o sonho de ter um Estado. Como Israel não a concederia, passariam a dizer que os israelenses praticam Apartheid

Resultado – 1A. Derrota Interna, Vitória Externa

Resultado – 1B. Vitória Interna, Derrota Externa

 Se Abbas optar por “2”, Netanyahu poderá

A. negociar, sabendo que agora lida com um Estado reconhecido internacionalmente e pode levá-lo para a Justiça internacional

B. recusar, sendo colocado no ostracismo até pela França e Grã Bretanha

2A. Vitória Externa, Derrota Interma

2B. Derrota Externa, Vitória Interna

 Se Abbas optar por “3”, Netanyahu

 A. poderá ignorar a atitude, já que terá uma decisão da ONU a seu favor graças ao veto americano. Mesmo assim, continuará isolado internacionalmente

B. poderá negociar, mas ficaria completamente enfraquecido na sua base doméstica e alguns partidos da direita ou religiosos de Israel poderiam romper, levando ao naufrágio do seu governo

3A. Incerteza Externa, Vitória Interna

3B. Vitória Externa, Derrota Interna

Como vocês agiriam se fossem Abbas ou Netanyahu? A resposta pode indicar o que pode acontecer

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios