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Trânsito do Oriente Médio é mais perigoso do que terrorismo, especialmente no Cairo

gustavochacra

18 de março de 2009 | 18h45

Não dá para atravessar a rua no Cairo. Imagino que dirigir deva ser impossível. Estacionar nem se fala. Parar no sinal vermelho também, já que quase sempre está o amarelo piscando. Brigar para o taxista usar o taxímetro é perda de tempo. Nem mentindo que sou de Beirute adiantou. Nunca um carro irá parar para que o pedestre possa atravessar com calma. Os carros não se posicionam um atrás do outro no trânsito. Eles preenchem espaços. A buzina existe para apertar. Ou, pelo menos, é o que parece aqui no Egito. A calçada não é para a pessoa a caminhar, e sim para o motorista parar o carro dele. A frota é mais antiga do que a do Brasil em 1980. Sem dúvida, o Cairo tem o trânsito mais caótico do Oriente Médio. Mas os rivais não são muito melhores.

Em Beirute, muitas ruas não têm mãos. Libaneses e libanesas falam ao celular normalmente, às vezes esquecendo que estão na direção. Os carros estão caindo aos pedaços ou são os últimos modelos de SUV’s, Jaguar, Porshe. O táxi tem um preço quase fixo, ao redor de US$ 5. E dá para usá-lo como lotação, dividindo com outras pessoas, por US$ 1. Como é tradição no mundo árabe, os motoristas não perguntam se podem fumar. Educação, para eles, é oferecer um cigarro. Se o passageiro aceitar, ótimo. Caso contrário, eles acendem o deles e fumam sem se preocupar com a fumaça. Há uma vantagem em relação ao Cairo e a São Paulo (é não pensem que estamos fora da lista) – os carros sempre param para os pedestres. Existe uma cortesia. E o cinto de segurança, no ano passado, se tornou item obrigatório. No Egito, pelo que vi, não deve ser. Ou o regime de Mubarak anda muito liberal.

Damasco é um pouco melhor. Os taxistas sempre usam o taxímetro. Mas, se o passageiro bobear, ele pode fazer um longo “tour” pela cidade. Os sinais funcionam bem. Alguns chegam a marcar o tempo que falta para atravessar. As leis de trânsito são razoavelmente respeitadas. Mas não podemos esquecer que Bashar não seria o presidente da Síria hoje se o seu irmão não tivesse abusado da velocidade nos anos 1990 e morrido em acidente.

Israel se divide em dois. Em Tel Aviv, os motoristas usam o taxímetro mesmo que o passageiro não peça. E não fazem coisas malucas na direção. Bem diferente de Jerusalém, onde às vezes é necessário brigar para que o taxímetro seja usado – independentemente de o motorista ser palestino (cristão e muçulmano) ou judeu. Na Cisjordânia, o mais comum é a lotação. Até que, se comparado aos países árabes, eles são bem responsáveis dirigindo. Talvez menos apenas que a Jordânia, onde as regras são mais respeitadas.

Os motoristas de Istambul, conforme descreve o guia “Lonely Planet”, parecem pilotos de rali. Quando não há trânsito, o que é um pouco raro, disparam em alta velocidade. Dificilmente falam inglês. Em geral, se restringem a dizer “Roberto Carlos, Alex, Deivid”. Não mais do que isso. Mas Istambul, assim como o Cairo, tem um transporte público decente.

Nicósia, no Chipre, é uma cidade bem menor do que Cairo, Beirute ou Tel Aviv. A curiosidade da capital cipriota é que no lado grego a direção é na direita, graças à influência britânica, e, no lado turco, na esquerda.

Enfim, conforme advertem muitos guias de viagem, o maior risco para um turista no Oriente Médio não é sofrer um atentado terrorista. É ser vítima de um acidente de trânsito.

Haaretz prepara reportagem que será grave para Israel

O diário israelense Haaretz prepara para os próximos dias uma reportagem que colocará em cheque os argumentos do Exército de Israel de que se preopcupou ao máximo em evitar a morte de civis na guerra contra o Hamas em Gaza. O texto é baseado em depoimentos de militares israelenses. Uma primeira parte está publicada no site do jornal, o melhor do Oriente Médio.

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