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Três anos depois da Primavera Árabe, como estão os países da região?

gustavochacra

15 de janeiro de 2014 | 12h35

Faz três anos que Ben Ali foi deposto na Tunísia. Por este motivo, hoje vale a pena fazer um levantamento de como anda a Primavera Árabe. Primeiro, precisamos dividir os países entre os onde houve queda do regime e onde os antigos governantes permanecem no poder.

Grupo 1 (Onde houve queda dos regimes)

Tunísia – Depois de uma certa instabilidade do ano passado, o partido mais religioso Enhada e os partidos mais seculares chegaram a um acordo para uma Constituição liberal para padrões do mundo árabe. Está em uma transição para a democracia

Egito – Tem uma nova ditadura militar, ainda mais repressiva do que o antigo regime de Mubarak. Apesar disso, o novo regime do general Sissi é popular. Por enquanto, estão distantes da democracia

Líbia – Há um governo em transição para a democracia. Mas o Estado é fraco e incapaz de manter a ordem em uma nação controlada por milícias radicais, sendo algumas delas ligadas à Al Qaeda

Yemen – Também segue em direção à democracia e tem muito mais liberdade do que nos tempos de Abdullah Saleh. Os problemas do país já existiam no antigo regime – rebeldes houthis no norte, presença da Al Qaeda em áreas rurais do país e separatismo no sul

Grupo 2 (Onde não houve mudança de regime) – Obs. O Líbano é democrático

Síria – Está em uma violenta guerra civil (mais detalhes em dezenas de posts neste blog)

Líbano – Única democracia do mundo árabe antes de 2011, está instável com a guerra civil no país vizinho, conflitos sectários e a presença de 1 milhão de refugiados. As divisões políticas seguem acentuadas, mas um governo deve ser formado nas próximas semanas

Marrocos – Importantes reformas foram implementadas pela monarquia

Argélia – Ainda traumatizada pela guerra civil, segue com um regime militar

Omã – A monarquia autocrática do sultão Qaboos serve hoje como o mediador dos conflitos na região, mas internamente não há liberdades democráticas

Arábia Saudita – País mais conservador do mundo, teve alguma evolução no direito das mulheres, mas ainda é um Apartheid contra elas. A minoria xiita na Província Leste tem sido duramente reprimida

Kuwait – Mais democrático país do Golfo Pérsico, com presença de oposição e eleições livres, tem seguido com suas reformas

Qatar – maior patrocinador da Primavera Árabe, internamente segue como uma monarquia absolutista

Emirados Árabes – cenário igual ao Qatar

Bahrain – a monarquia sunita dos Al Khalifa praticamente entregou a segurança do país para os sauditas, reprimindo com violência a maioria xiita e grupos pró-democracia

Iraque – A guerra civil se intensificou desde a Primavera Árabe, com um governo cada vez mais sectário, de viés xiita secular, e crescimento da Al Qaeda em áreas da minoria sunita

Jordânia – Depois de protestos contra o regime do rei Abdullah, houve uma estabilização devido ao temor da população de transformar o país em uma nova Síria ou Iraque

 Palestina/Cisjordânia – não mudou praticamente nada e segue em negociações de paz com Israel

 Palestina/Gaza – o Hamas perdeu o apoio que possuía do Irã e da Síria ao trair Assad e apoiar os rebeldes. Inicialmente, contou com o apoio da Irmandade, do Qatar e da Turquia. Mas agora está órfão, com um regime hostil no Egito, com  Erdogan enfrentando problemas domésticos e com o novo emir do Qatar querendo se distanciar de questões regionais

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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