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Três quartos de palestinos e israelenses querem paz; colonos e Ahmedinejad, não

gustavochacra

23 de abril de 2009 | 11h27

Três quartos de palestinos e israelenses são a favor de uma solução de dois Estados para resolver o conflito. Para ser específico, pesquisa da One Voice publicada no Haaretz, de Israel, indica que 74% dos palestinos e 78% dos israelenses aceitariam viver lado a lado em dois países. A pesquisa tem uma margem de erro de 4,1% para os palestinos (pesquisa feita em pessoa) e 4,5% para os israelenses (pesquisa por telefone).

Como fazer para criar dois Estados? Todos sabem e quase todos defendem. Os palestinos teriam um Estado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com Jerusalém Oriental como capital simbólica apesar de, na prática, Ramallah ser usada para administração. Israel reconheceria que muitos refugiados palestinos foram expulsos, pagaria uma indenização, permitiria que uma parte deles retornasse. Outros poderiam se mudar para o futuro Estado palestino e alguns seriam assentados em outras áreas, se preferissem. Chile, Jordânia, Líbano, EUA e Brasil seriam opções. Israel manteria o seu território pré-1967, com Jerusalém Ocidental como capital. Os assentamentos da Cisjordânia seriam desmantelados, a não ser por alguns poucos que poderiam ser trocados por terras que aproximassem Gaza da Cisjordânia. O Estado palestino poderia ser desmilitarizado, o que seria positivo para os dois lados. Os israelenses teriam segurança e os palestinos poderiam se tornar, como a Costa Rica, um símbolo do pacifismo internacional.

A Autoridade Nacional Palestina aceita muitos pontos deste plano. O Hamas de Gaza (não o da Síria) já deu a entender que poderia concordar com um trégua de décadas. Como escrevi acima, três em cada quatro palestinos também. A Liga Árabe (incluindo todos países árabes) já propuseram um plano com bases não muito diferentes dessas colocadas acima. Obama também quer uma solução neste sentido. Em Israel, Ariel Sharon, antes de entrar em coma, deu a entender que não haveria outra solução a não ser essa. Tzipi Livni, líder da oposição, também quer a criação de um Estado palestino. O ex-premiê Ehud Olmert fez discursos defendendo a retirada dos assentamentos. O ministro da Defesa, Ehud Barak, sempre foi a favor de que os palestinos tivessem uma pátria. Benjamin Netanyhu chegou a negociar nos anos 1990, antes de se radicalizar. Mas ele é pragmático e pode mudar mais uma vez. Especialmente sob pressão americana. Lieberman, o anti-árabe chanceler israelense, é contra os árabes de Israel e acha que os palestinos deveriam ser separados de Israel. No limite, seu discurso racista até favorece a criação de um Estado.

A liderança do Hamas na Síria, o presidente do Irã Mahmoud Ahmedinejad, os colonos judeus da Cisjordânia, o lobby pró-Israel da AIPAC, e figuras da extrema direita israelense são contra.

Logo, hoje a questão não se divide entre pró-Israel e pró-palestinos. Mas entre pró-paz e pró-guerra. Quem defende Ahmedinejad, está defendendo os colonos e a ocupação por mais contraditório que isto pareça. Porque discursos como o do presidente do Irã e do chanceler israelense Avigdor Lieberman apenas favorecem a desconfiança. Israelenses e palestinos não chegam a um acordo porque um lado desconfia do outro. Quando Rabin era vivo, o cenário era diferente. Um radical judeu o assassinou em um ato certamente comemorado por radicais anti-Israel. Mal sabiam eles que, naquele dia, o sonho de um Estado palestino era adiado.

23 de abril – Clube Monte Líbano (restrita a sócios e convidados de sócios)- às 20h30
24 de abril – Faculdades Rio Branco – 20h30
29 de abril – Clube Sírio (aberta ao público) – 20h

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