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Trump diferencia brasileiros de mexicanos? E por que diferenciaria?

gustavochacra

28 Agosto 2017 | 11h19

Donald Trump, neste fim de semana, escreveu no Twitter que o muro é necessário na fronteira com o México porque os mexicanos possuem um dos maiores índices de criminalidade do mundo. Logo, ele não quer que “criminosos” entrem nos EUA. Nada contra. Direito dele. Foi eleito dizendo isso o tempo todo na campanha. Claro, ele generaliza “mexicanos” como se todos fossem “criminosos”, embora a imensa maioria dos imigrantes sem documentos nos EUA não são criminosos e o índice de crimes cometidos por eles é inferior à média da população americana.

O que também me chamou a atenção neste argumento é que o mesmo se aplica obviamente aos brasileiros. O Brasil possui índices de criminalidade similares ao México ou até maiores. A diferença é que não temos fronteiras com os EUA. Mas, para muitos defensores da política de Trump, “México” serve para arredondar tudo o que está ao sul do “Rio Grande”. Isto é, toda a América Latina, Brasil incluído – e mesmo nações seguras, como o Uruguai.

Alguns brasileiros acham que o Brasil integra o Ocidente cultural. Pode até ser. Trata-se de uma discussão sociológica interessante. O certo é que o líder da maior nação ocidental do planeta provavelmente não nos vê como parte do clube do Ocidente. E isso não vale só para ele, mas para muitos americanos e europeus. Ocidente cultural seria apenas a Europa Ocidental, EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Basta ler o livro Choque de Civilizações. Chineses e iranianos não ligam de não ser parte do Ocidente. Possuem orgulho de sua cultura.

Logo, quando Trump fala dos “mexicanos”, entenda que você, se for brasileiro, também está incluído. Somos, portanto, sinônimo de “criminosos” como os mexicanos, assim como “iranianos” são de terroristas, embora nenhum iraniano tenha cometido atentado terrorista nos EUA ou na Europa ao longo de todo o século 21. Ao mesmo tempo, o novo CEO da Uber é um imigrante iraniano para os EUA. Se fosse hoje, seria impedido de entrar, mesmo a turismo, no país por decreto de Trump.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão, comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York e colunista do jornal O Globo, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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