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Trump está certo ao retirar os EUA do TPP?

gustavochacra

23 Janeiro 2017 | 20h33

Donald Trump cumpriu a sua promessa de campanha e retirou os Estados Unidos do acordo de livre comércio do Pacífico, conhecido como TPP. Este acordo, negociado por anos pela administração democrata de Barack Obama, com o apoio de opositores do Partido Republicano, englobava 40% da economia mundial e visava não apenas ampliar o comércio na região como também aumentar a influência americana em uma área de disputa geopolítica com a China.

Até um ou dois anos atrás, o livre comércio era um dos raros consensos entre democratas e republicanos, sendo quase um dos principais valores da sociedade americana nas últimas décadas – seria impensável Mitt Romney ou John McCain e John Kerry ou Barack Obama terem uma agenda anti-mercado.

Mas, ao longo de 2015 e de 2016, um discurso populista e protecionista ganhou força nas vozes populistas de Bernie Sanders, no lado democrata, e de Trump, no republicano. Eles de uma certa forma “descobriram” que uma parcela da sociedade americana, que não foi beneficiada pelo processo de globalização, queria se voltar para dentro e fechar as fronteiras. E o consenso a favor do livre comércio foi rompido.

A mudança foi tamanha que Hillary Clinton, que negociou o TPP, hipocritamente passou a dizer que era contra, batendo de frente com Obama. Claro, provavelmente, o fez por questões eleitoreiras e talvez mantivesse o país dentro do acordo se fosse eleita. Mas o fato é que, na campanha, adotou a mesma bandeira contra o acordo de Trump, embora, no geral, ela tenha sido menos protecionista.

Como sou um defensor do livre comércio e do liberalismo econômico, pois cheguei a viver no Brasil dos anos 1980 e sei a desgraça que é uma economia fechada, avalio que Trump cometeu equívoco ao optar por esta onda protecionista e a economia americana pode ser prejudicada. Mas, talvez, ele e Bernie Sanders estejam certos.

O certo, no entanto, é que, sem o TPP, geopoliticamente, os EUA se enfraquecem no curto e médio prazo no Pacífico. E China deve ocupar este espaço. A decisão de Trump, portanto, foi positiva para os chineses, que são considerados rivais pelo republicano. Vai entender.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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