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Tudo o que você queria saber sobre a guerra e tinha medo de perguntar

gustavochacra

09 de janeiro de 2009 | 08h24

– Nenhum míssil foi disparado da Cisjordânia contra Israel no atual conflito

– Se fosse, Israel teria que fechar o aeroporto Ben Gurion, a poucos quilômetros da fronteira

– Como qualquer país do mundo, Israel tem o direito de se defender de mísseis e foguetes lançados contra o seu território

– O Hamas prega a destruição de Israel na sua carta de fundação, mas líderes do grupo já deram a entender que aceitariam uma trégua de anos caso fosse criado um Estado palestino na Cisjordânia e Gaza. Os israelenses exigem um reconhecimento incondicional

– Palestinos de Gaza e da Cisjordânia não se encontram nunca, a não ser por autoridades

– Existem muitos cristãos palestinos

– O principal líder do Hamas, Khaled Meshal, vive em Damasco, bem longe da destruída faixa de Gaza

– Israel desrespeita acordos com os palestinos e determinações da ONU ao construir e manter assentamentos na Cisjordânia e nas partes árabes de Jerusalém, tornando praticamente impossível a criação de um Estado palestino na área

– Palestinos sofrem enormes restrições para se movimentar pela Cisjordânia, não podendo dirigir em algumas estradas usadas por israelenses e sendo obrigados a passar por checkpoints de Israel ao ir de uma cidade palestina para outra

– Foram retirados 8.000 colonos da Faixa de Gaza. Esse número é cerca de 3% do total de colonos judeus que vivem na Cisjordânia

– Nenhum assentamento foi desmantelado na Cisjordânia. Todos são considerados ilegais pela ONU

– O “pacifista” Shimon Peres, e não Netanyahu e Sharon, foi o responsável pelo maior número de assentamentos construídos nos
territórios palestinos

– Peres também era premiê quando Israel bombardeou um abrigo da ONU em Qana, no Líbano, matando mais de cem pessoas

– Sharon retirou os assentamentos de Gaza, Netanyahu entregou Hebron para a Autoridade Palestina e Begin assinou o acordo de paz com o Egito. Todos eles eram conservadores

– O mandato do presidente palestino, Mahmoud Abbas, acaba hoje

– No seu mandato, foram retirados todos os cartazes que louvavam mártires (terroristas suicidas) das ruas de Ramallah. A cidade tem se desenvolvido bem, longe de ter aquela imagem de destruição de cinco anos atrás, quando era governada por Arafat, que vivia cercado por tanques na Muqata (quartel-general da Autoridade Palestina)

– Não foram realizadas novas eleições lesgislativas nos territórios palestinos e, em teoria, o Hamas ainda tem maioria no Parlamento

– Israel retirou os assentamentos da Faixa de Gaza, mas nunca perdeu o controle do espaço aéreo e marítimo do território

– O Hamas executou, durante o atual conflito, membros do Fatah (grupo rival palestino). A informação é de Amira Hass, repórter israelense que viveu por anos em Gaza e é respeitada mesmo por autoridades do Hamas

– As pessoas não vivem em bunkers nas cidades do sul de Israel, apesar, de muitas vezes, terem que se refugiar em abrigos por medo de serem alvo de mísseis

– Os jornalistas são proibidos por Israel e pelo Egito de entrar em Gaza. Ficam posicionados a quilômetros de distância da fronteira. A imagem que se vê de Gaza nas TVs vem de canais como a Al Jazeera ou por zoom das câmeras que estão em Israel

– Não se vê tanta destruição nas cidades israelenses porque o governo de Israel é rápido na reconstrução

– Não foi cometido nenhum atentado suicida desde o início da ofensiva

– Além do Hamas, o Jihad Islâmico também enfrenta Israel

– O território de Israel hoje não é o que ficou definido na partilha da ONU, em 1947. Mas sim o dos acordos de armísticio, de 1949

– Até 1967, Israel não ocupava territórios palestinos fora da área do armistício

– Jenin, símbolo dos combates na ofensiva israelense contra a Cisjordânia em 2002, é uma das cidades palestinas mais estáveis atualmente

– Os disparos de mísseis feitos por palestinos desde o território libanês poderiam ter massacrado 26 idosos israelenses que viviam em um asilo em Naharyiah. Vejam descrição em reportagem minha no Estado

– O líder Hamas, xeque Ahmed Yassin, assassinado por Israel em 2004, nasceu em Ashkelon, hoje território israelense e alvo de ataques do grupo palestino. Shimon Peres, presidente de Israel, nasceu na Polônia

– O governo libanês condenou o lançamento de mísseis a partir do seu território contra Israel, dizendo que os responsáveis violaram a resolução 1701 da ONU. Foi uma das raras vezes que a administração libanesa ficou ao lado dos israelenses

– Aviões israelenses também violam a mesma resolução da ONU ao voar sobre o Líbano todo (não apenas o sul), durante quase todo o ano

– O conflito árabe-israelense tem na liderança do lado “árabe” um país que não é “árabe” – O Irã, que é persa. Os países “árabes”, como o Egito e a Arábia Saudita, estão contra o Hamas

– O Irã, mesmo atacando verbalmente Israel, nunca teve coragem de bater de frente com os israelenses

– A visita de Celso Amorim à região não ganhou muito “destaque” na imprensa israelense

obs. Se eu for lembrando de mais dados, aviso. Também podem postar outras informações. Mas, mais uma vez, não posso postar comentários longos, da mesma pessoa na sequência (serão no máximo dois) e, a partir de agora, voltarei a ser duro nas restrições a posts islamofóbicos, anti-árabes e anti-semitas. Tampouco entrarão ataques pessoais a mim e a outros leitores. Críticas, claro, são bem vindas desde que sejam feitas com educação.

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