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Um grupo rebelde sírio é tão radical que até a Al Qaeda quer distância

gustavochacra

04 de fevereiro de 2014 | 13h03

A Al Qaeda e o ISIS romperam relações ontem. O ISIS é uma organização ultra radical com base inicial no Iraque, se expandindo nos últimos dois anos para a Síria, onde se transformou no principal grupo rebelde.

Meses atrás, o ISIS começou a enfrentar não apenas as forças do regime, como também outras facções da oposição. Uma delas, a Frente Nusrah, também é aliada à Al Qaeda. A diferença é que, diferentemente do ISIS, esta facção não luta abertamente contra outros grupos rebeldes, como o também radical Fronte Islâmico (independente da Al Qaeda e patrocinado pela Arábia Saudita) e o supostamente moderado e cada vez mais irrelevante Exército Livre da Síria (ELS).

A Al Qaeda queria o foco na união das facções opositoras no combate ao regime de Bashar al Assad, considerado inimigo da rede terrorista por ser laico, ter o apoio de infiéis como os alauítas e os cristãos e, acima de tudo, ser aliado do Irã, Iraque e Rússia, provavelmente os três maiores inimigos da Al Qaeda no planeta. Não é para, na visão dos seguidores de Bin Laden, perder tempo lutando contra grupos também ligados à rede terrorista, como a Frente Nusrah.

Na prática, não altera tanto o cenário. Os choques entre os grupos rebeldes deve continuar. Todos são radicais, embora o ISIS realmente supera qualquer patamar de radicalismo existente no mundo, a ponto de ser visto como extremista até mesmo pela rede responsável por dezenas de atentados terroristas, incluindo o 11 de Setembro. 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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