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Um quarto dos israelenses ameaça deixar o país se Irã adquirir uma arma nuclear

gustavochacra

22 de maio de 2009 | 09h30

Alguns números para se levar em conta de estudo do Centro de Estudos Iranianos da Universidade de Tel Aviv

. 85% dos israelenses têm medo de que o Irã obtenha a bomba atômica
. 23% dizem que deixariam Israel se o Irã adquirir uma arma nuclear
. 57% acham que os Estados Unidos fracassarão em suas iniciativas diplomáticas
. 41% defendem que Israel deve atacar instalações nucleares do Irã

O Irã nega que tenha bomba atômica e é signatário do tratado de não proliferação nuclear – por iniciativa própria. Segundo o regime iraniano, o programa nuclear tem fins civis. Analistas e governos no Ocidente rejeitam o argumento do Irã e afirmam que o país esconde as suas reais intenções. O problema é que, em 2002 e 2003, no Iraque, o mesmo tipo de acusação era feita. Depois da invasão, se provaram falsas, o que prejudica as acusações contra os iranianos agora.

O que também alimenta em parte o medo israelense, além da bomba, é o discurso iraniano. O presidente, Mahmoud Ahmedinejad, é acusado de ter defendido que Israel seja “varrido do mapa”. Alguns acadêmicos dizem que a tradução não foi correta. Outros contra-argumentam que isso foi literalmente o que ele disse. Em palestra na Universidade Columbia, o líder iraniano afirmou que os habitantes locais deveriam escolher o destino do território. Mas não foi claro se isso também inclui os israelenses ou apenas os palestinos. Diversas vezes, o presidente também colocou em cheque se o Holocausto existiu ou não, pedindo mais estudos sobre o tema, o que levantou acusações de anti-semitismo contra ele – inclusive deste blog.

Israel possui bombas atômicas, apesar de não assumir publicamente. De qualquer forma, como não são signatários do tratado de não proliferação nuclear, estão isentos de sanções internacionais ou de fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica. Nos anos 1980, Israel atacou a instalação nuclear de Osiraq, no Iraque, em duro golpe contra o programa nuclear de Saddam Hussein. Mesmo com este armamento desde os anos 1960, Israel evitou utilizá-lo na Guerra do Yom Kippur, em 1973, quando enfrentou países árabes. Tampouco cogitou a hipótese de usar a bomba nos conflitos contra o Hezbollah, em 2006, e o Hamas, neste ano.

Analistas e políticos israelenses acreditam que as iniciativas diplomáticas americanas para impedir o Irã de ter uma bomba não terão resultados positivos e muitos já apostam em um ataque até o fim do ano, independentemente das eleições iranianas de junho, conforme relatado no último post deste blog. Na administração de George W. Bush, o então premiê Ehud Olmert teria consultado os EUA sobre uma possível ação. Teve como resposta um não. Seria ainda mais complicado com Barack Obama na Presidência. Se for para o ataque, os israelenses irão à revelia dos americanos.

No próximo post, vou abordar a questão dos dois Estados, que passou a ser defendida abertamente pelo governo americano

Os leitores do blog marcaram um encontro para o dia 23 de maio, em São Paulo. A organização é do Fabio Nog. Quem quiser participar, envie um comentário com o email e nome completo que eu mando para o Fabio. Já há cerca 15 leitores inscritos. Eu não poderei ir porque estou fora do Brasil

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