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Um resumo blogueiro da crise na Coreia do Norte

gustavochacra

12 de abril de 2013 | 16h36

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A Coreia do Norte quer ser reconhecida como uma nação nuclear, sem ser alvo de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Algo mais próximo da Índia, do Paquistão e de Israel. Os Estados Unidos e seus aliados almejam justamente o oposto, exigindo que o regime de Pyongyang abandone as suas armas atômicas, agindo como a África do Sul, a Ucrânia, o Cazaquistão ou a Bielo-Rússia duas décadas atrás.

Para entender este contexto, precisamos observar o Tratado de Não Proliferação Nuclear. (TNP) Este acordo foi assinado por todos os países do mundo, menos Israel, Paquistão e Índia, além do Sudão do Sul (neste caso, é um detalhe por seu um novo país). Este acordo reconhece os EUA, China, Rússia, Grã Bretanha e França como potências nucleares e busca evitar a proliferação destes armamentos.

Israelenses, paquistaneses e indianos não estão sujeitos a penalidades impostas pelo tratado e tampouco a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica por não serem signatários. Já o Irã, que assinou o TNP, precisa cumprir as exigências impostas pelo tratado. Como não cumpre, é alvo de sanções.

A Coreia do Norte é um caso mais complexo. O país era signatário do TNP, mas decidiu se retirar há cerca de uma década. Esta possibilidade existe, desde que seja feita com 90 dias de antecedência e exista uma ameaça bélica ao país.

Para os EUA e ou seus aliados, o regime de Pyongyang, mesmo estando fora do TNP, deve seguir sujeito a sanções internacionais. Além disso, teria contrabandeado tecnologia nuclear para o Irã e a Síria, violando o tratado internacional.

Os norte-coreanos não aceitam estas sanções e avaliam que o país deveria ser colocado no mesmo patamar do Paquistão e da Índia – Israel é mais complexo por não ter realizado testes nucleares e por não confirmar e tampouco negar possuir armamentos atômicos.

As negociações envolvendo os dois lados seguirá fracassando porque não existe possibilidade de acordo. A Coreia do Norte não cederá o suficiente ao ponto de abandonar as armas atômicas. E os EUA não cederão ao ponto de reconhecer os norte-coreanos como uma nação nuclear.

O status quo, por incrível que pareça, é o melhor cenário, pois nenhum dos dois perde. No longo prazo, uma transição com reformas econômicas pode deixar a Coreia do Norte um pouco mais livre, embora não democrática.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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