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Um resumo da crise das armas químicas na Síria

gustavochacra

26 de agosto de 2013 | 11h24

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O regime de Bashar al Assad concedeu autorização para os inspetores da ONU investigarem o local dos supostos ataques neste domingo, quatro dias depois da morte de centenas de pessoas e imediatamente após reunião com autoridades de desarmamento da ONU.

Hoje, a missão se encaminhava para o local do ataque, quando foi alvejada por franco atiradores em uma buffer zone. Não dá para saber quem seriam os responsáveis pelos disparos. Os inspetores retornaram para o checkpoint do regime, onde receberam proteção. Horas mais tarde, eles chegaram ao local do ataque em uma rota alternativa com o auxílio das forças de Assad,

O objetivo da investigação será determinar se houve ou não uso de armas químicas. Caso tenha havido, tentarão determinar quais teriam sido usadas. Não haverá determinação, a princípio, de quem seria o responsável pelo uso deste arsenal de destruição em massa, que teria matado centenas de pessoas.

Nações ocidentais suspeitam do regime de Assad e dizem ter informações de inteligência neste sentido. A Rússia afirma justamente o inverso e diz ter sido a oposição.

Conforme escrevi no passado, pela lógica, o regime de Assad não realizaria este ataque agora. Suas forças vêm obtendo vitórias, o alvo foi muito perto de Damasco, ele sabe que pode matar ilimitadamente seus adversários com armas convencionais e, mais importante, a ação ocorreu com a presença dos inspetores da ONU.

Por outro lado, o regime pode também ter usado a “lei do mais forte”, comum na região, e ter sentido que suas ações continuariam passando impunes. Membros de escalões mais baixo do regime podem ter usado as armas a revelia de Assad, lembrando que, se a polícia em muitos países do Ocidente exagera, não dá para esperar algo diferente ou bem pior das forças sírias.

A oposição também teria incentivos para o ataque. Sua situação é desesperadora e esta seria uma forma de assustar o regime. Em segundo lugar, o uso de armas químicas poderia ser atribuído a Assad, atraindo intervenção externo. Por último, há informações de que foguetes sem sofisticação teriam sido usados no ataque. Além disso, no passado, um grupo terrorista usou sarin no metrô de Tóquio. Não seria impossível alguma facção síria, sendo algumas delas ligadas à Al Qaeda, terem agido da mesma forma.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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