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Uma comparação blogueira da Síria com a Venezuela

gustavochacra

17 de fevereiro de 2014 | 12h32

A comunidade internacional sempre se preocupa mais com um país quando este já está caótico e sem solução, como no caso da Síria. Mas ignora estas nações antes de elas atingirem o ponto de ruptura, quando ainda dá para tentar resolver o problema.

Já escrevi aqui na semana passada. A Síria era uma nação estável, segura e, embora de Terceiro Mundo, com alguns avanços na educação, saúde, direitos de minorias religiosas e mulheres. Diplomatas gostavam mais de viver em Damasco do que em outras capitais árabes, como Amã ou Abu Dhabi, justamente pela segurança e ausência de conservadorismo religioso. Jovens universitários americanos e europeus preferiam estudar árabe na Síria, em vez do Líbano e do Egito. Era uma nação secular.

Mas a Síria explodiu e dava para ter evitado a explosão no começo, nos primeiros protestos. Desde meados de 2011, porém, aquele país não existe mais, mesmo nas áreas sob total controle de Bashar al Assad, como a costa Mediterrâneas e suas montanhas com vilas cristãs e alauítas.

Ao redor do mundo, há outras nações que podem seguir o mesmo caminho. Uma delas está na América do Sul – a Venezuela. Verdade, o contexto venezuelano nada tem a ver com o sírio. Afinal, não necessariamente todas nações que entram em colapso são iguais. Na Venezuela, não há divisões religiosas ou países inimigos na vizinhança. A Síria possuía quatro (Turquia, Israel, Arábia Saudita e Qatar). Tampouco potências regionais e globais apoiando o regime. A Síria tem o Irã e Rússia, além de China e Iraque em menor escala.

Mas existe, como na Síria, uma nação dividida na Venezuela, um histórico de guerra civil na região (Colômbia) e um regime repressor, embora distante dos crimes contra a humanidade cometidos por Assad atualmente, mas não muito diferente do líder sírio antes da Guerra Civil. A vantagem de Caracas, por enquanto, é que os opositores venezuelanos não são violentos e extremistas como os sírios.

Não sou especialista em política de Caracas (acompanho mais Oriente Médio e EUA), mas eu ficaria atento para evitar este momento de ruptura. Porque, depois de romper de vez, com a instalação do caos, é muito difícil encontrar uma solução. E a Venezuela é vizinha do Brasil. 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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