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Uma conversa em ladino com um judeu turco a caminho do estádio em Istambul

gustavochacra

05 de março de 2009 | 14h02

Chegar ao estádio do Fenerbace não é fácil. Primeiro, tive que ir de barco da Europa para a Ásia em um frio de dois graus. Depois, me perdi na região asiática de Istambul até ser resgatado por um pai e um filho turcos torcedores do time de Roberto Carlos e Alex. Eles me levaram até o estádio. Conversamos o tempo todo. Com o filho, em inglês. Com o pai, em ladino. Isso mesmo, ladino, com “d”. Não falo essa língua, mas entendo perfeitamente por ter morado na Argentina e ser fluente em espanhol. O ladino é língua dos judeus sefaraditas, que viviam na Península Ibérica, até serem expulsos com os muçulmanos pelos católicos na Guerra da Reconquista. Eles se espalharam pelo oriente e foram muito bem recebidos pelos otomanos. Até hoje, há judeus que vivem na Turquia.

De acordo com o pai, não há anti-semitismo em Istambul, mas a situação foi um pouco tensa durante a Guerra de Gaza. Na época, os turcos se posicionaram fortemente contra os israelenses e houve algumas ações contra judeus na cidade. Agora, já voltou ao normal. Ele quis saber se o Brasil tem anti-semitas “como en la Argentina”. Respondi que não. A sociedade judaica brasileira é muito bem integrada. Depois, ele disse que a juventude judia de Istambul se divide em duas. Uma, que aos poucos imigra para Israel, abandonando a sua cultura turca. A outra, que permanece em Istambul e Ismir, mas que vem se miscigenando com turcos muçulmanos. Para complicar, nos dois casos, poucos se interessam em aprender o ladino. “Eu falava com a minha mãe sempre nesta língua, que mantivemos viva por séculos. Meu filho sabe inglês fluentemente, mas não ladino”, afirmou.

O ladino é quase igual ao espanhol. Poucos sons mudam. A palavra viejo e hijo, por exemplo, não soam como “vierro” e “irro”, como é no castelhano atual. No ladino, o som é de “j” mesmo, como no português.

Educados, os dois me levaram até o portão de entrada do meu setor no estádio do Fenerbace e se disseram fãs dos brasileiros que jogam no time, que é uma espécie de Corinthians turco, conforme explicarei em outro post .

Hillary

Boa a iniciativa dos Estados Unidos enviarem emissários para Damasco. Este é o principal resultado da viagem da secretária de Estado. Israel deve negociar com os sírios independentemente da coalizão que venha a administrar o país. Espero apenas que o Líbano não pague o preço

Congresso dos EUA

O Congresso americano tem razão em querer condicionar a ajuda de US$ 900 milhões aos palestinos. O dinheiro é deles e fazem o que bem entendem. Porém, caso não apliquem as mesmas condições a Israel, a decisão será vista como dois pesos e duas medidas. Israel não deveria receber ajuda financeira enquanto mantiver os assentamentos ilegais, segundo a ONU, na Cisjordânia. E os palestinos não receberiam enquanto o Hamas não libertasse Gilad Shalit em troca de prisioneiros palestinos e suspendesse os inócuos ataques de foguetes. Ataques que não adiantam nada. Pois não provocam nenhum estrago em Israel (fui às cidades israelenses e vi apenas janelas quebradas) e dão desculpas para as ações israelenses que matam centenas de civis em Gaza (onde também estive e vi a destruição), como na recente guerra.

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