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Uma explicação blogueira sobre o Partido Republicano

gustavochacra

16 de outubro de 2013 | 18h40

O Partido Republicano, historicamente, representa a centro-direita dos Estados Unidos. Dependendo da época, seu discurso pode ficar mais conservador ou mais moderado, de acordo com a atmosfera do momento. O mesmo se aplica ao Partido Democrata, visto como centro-esquerda para os padrões americanos.

Dentro de cada um dos partidos, há diferentes facções. No passado, existiam os Rockefeller Republicans, que eram republicanos de viés conservador em economia, mas um pouco mais liberais em outros assuntos. Seriam os republicanos mais associados a Wall Street, a Nova York e Washington.

Inclusive, até décadas atrás, os republicanos costumavam vencer nas costas e perder no sul, segregacionista e eleitor democratas. O presidente democrata Lyndon Johnson, com a sua luta pelo direitos civis, perdeu o sul. Richard Nixon, presidente e republicano, soube atrair estas áreas conservadoras para os republicanos.

Mas isso é história. Hoje os republicanos possuem facções moderadas e conservadoras. Os primeiros são mais comuns nos governos, como Chris Christie, em Nova Jersey e os ex-governadores Mitt Romney (Massachusetts) e Jeb Bush (Texas). No Senado, também são majoritários no GOP, como também é conhecido o Partido Republicano.

Verdade, existem aberrações, como ultra radical Ted Cruz no Senado. Mas ele é repudiado pelo establishment republicano e até mesmo pelo conservador Wall Street Journal. Muitos doadores do partido também demonstram enorme insatisfação com ele.

Na Câmara dos Deputados, porém, é diferente. Os deputados costumam vir de distritos solidamente ligados a um dos dois partidos. Portanto as primárias valem mais do que as eleições. Isso levou ao crescimento de democratas e republicanos radicais nos dois lados. Existem, porém, ainda muitos deputados moderados nos dois partidos.

Neste momento, dizem que o Tea Party está em alta. Eu acho complexo usar esta nomenclatura que descreve como iguais libertários e radicais religiosas que se distinguem em uma série de temas. Mas concordo que alguns extremistas têm ganho voz muito forte no Partido Republicano, como Ted Cruz.

Mas, em 2009 e 2010, o Tea Party estava ainda mais forte e foram vitoriosos nas eleições para o Congresso. Dois anos depois, as “estrelas extremistas” como Michele Bachmann e Rick Santorum não conseguiram vencer as primárias. Sarah Palin ficou com medo.

 O vencedor foi o moderado Romney. Assim como John McCain, moderado (se não levarmos em conta política externa) para os padrões republicanos venceu em 2008. Mesmo George W. Bush, em 2000, não era visto como radical. O mesmo se aplica Bob Dole quatro anos antes e a história prossegue.

A única vez que um político de uma ala mais radical de um partido disputou eleições foi George McGovern, pelos democratas, em 1972. Ele perdeu 49 dos 50 Estados para Nixon. Se Ted Cruz for escolhido como o candidato republicano, tenham certeza, o placar seria parecido, mas a favor dos democratas de Hillary Clinton. Certamente ela teme bem mais um moderado como Jeb Bush (sim, apesar do sobrenome, o ex-governador é moderado).

 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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