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Uma história blogueira do Chipre

gustavochacra

21 de março de 2013 | 17h53

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Nicósia, no Chipre, é a última capital dividida do mundo e, se depender das recentes negociações de paz que chegaram a trazer otimismo ao conflito envolvendo cipriotas gregos e turcos, o muro que separa a cidade desde 1974 deve continuar de pé por pelo menos mais alguns anos. Localizada politicamente na Europa, mas geograficamente no Oriente Médio, esta ilha-país do Mediterrâneo de 9.250 km2 foi cortada em duas partes quando os turcos invadiram o território cipriota há 39 anos e, nove anos mais tarde, criaram no terço norte um Estado independente reconhecido apenas pelo governo de Ancara. Grego-cipriotas, que eram majoritários na região, se refugiaram no lado sul, onde está o governo oficial do Chipre. E turco-cipriotas foram para a área invadida.

Durante 29 anos, moradores dos dois lados da cidade e do país não podiam cruzar a divisa. Em 2003, pela primeira vez, a travessia foi liberada apos início de negociações. Esta permissão de travessia não significou o fim do conflito entre os dois lados, que se estende quase desde a independência, em 1960, e se acentuou 14 anos depois. Grego-cipriotas continuam proibidos pelo regime turco de morar em suas casas ou de adquirir terras no lado norte da ilha. Eles podem apenas visitar e, se quiserem, se hospedar em hotéis, como se fossem turistas. Já os turco-cipriotas podem morar no lado grego, desde que façam o passaporte.

O Chipre, que no passado já foi parte da Grécia, Macedônia, Império Romano, Bizantino, Pérsia e foi dominado por cruzados, Veneza, Gênova, Império Turco Otomano e Reino Unido, ficou independente dos britânicos em 1960. Cerca de 80% da população era de origem grega e cristã ortodoxa, além de alguns poucos maronitas e armênios. O restante era composto por turcos muçulmanos. A proporção não se alterou.

Gregos e turcos disputam há décadas a influência sobre a ilha – os gregos por muitos anos defendendo a “enosis” (unificação em grego) com a Grécia; e os turcos a favor da “taksim” (partilha em turco) do país, com a criação de um Estado turco-cipriota. Hoje a Grécia não fala em enosis, mas a Turquia mantém o ideal de taksim.

* Texto baseado em reportagem minha publicada no Estadão durante visita ao Chipre em 2009

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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