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Uma história de espionagem libanesa

gustavochacra

21 de novembro de 2008 | 11h54

Uma história de espionagem envolvendo Al Qaeda, Hezbollah, Mossad (serviço secreto de Israel), 11 de Setembro e a Síria tem alimentado ainda mais as teorias da conspiração sempre presentes nas mesas dos cafés de Beirute.

Tudo começou há algumas semanas, quando dois homens foram presos na vila de Al Marej, no vale do Beqaa, em uma operação do Exército libanês para desmantelar uma suposta célula de espionagem que trabalharia para o Mossad desde os anos 1980, durante a guerra civil libanesa. Um deles, de acordo com reportagem publicada esta semana no diário libanês “Al Akhbar”, era levado para treinamento em Israel.

Testemunhas das prisões informaram que equipamentos de alta tecnologia foram encontrados na casa dos supostos espiões. Segundo investigadores, eles podem ter coletado informações que Israel teria utilizado em atentado que matou o comandante militar do Hezbollah, Imad Mugnyieh, no início deste ano, em Damasco. Os israelenses não confirmam nem negam envolvimento no ataque contra um de seus maiores inimigos, que vivia escondido na Síria.

Até este ponto, a história poderia ser comum no Líbano, um dos países com a maior quantidade de espiões estrangeiros e domésticos per capita do mundo. O que torna esse episódio diferente é a identidade dos envolvidos.

Um deles se chama Ali Jarrah, que é o sobrenome de Ziad, um dos terroristas dos atentados de 11 de Setembro, e originário da mesma região. Os dois detidos que supostamente trabalhavam para o Mossad são parentes próximos de um dos mais célebres integrantes da Al Qaeda.

A família de Ziad Jarrah sempre negou que ele estivesse envolvido nos atentados, pois ele não seria um radical religioso. Segundo eles, Jarrah seria apenas mais um “nome árabe” que por coincidência estaria no vôo. Já a comissão do Congresso americano que investigou os ataques de 11 de Setembro afirma que Jarrah foi treinado no Afeganistão e pilotou o avião que caiu na Pennsylvania.

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