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Universidade Americana de Beirute, a melhor do mundo árabe

gustavochacra

22 de setembro de 2008 | 16h46

Dubai, Abu Dhabi, Doha e outras metrópoles do golfo Pérsico podem gastar milhões para atrair para os seus países universidades americanas como Georgetown, Cornell e outras que se venderam e abriram filiais no mundo árabe. Mas nenhuma dessas universidades consegue ter no Oriente Médio o charme e o peso da Universidade Americana de Beirute, ou simplesmente AUB, na sigla em inglês.

Talvez a AUB seja o mais respeitado bastião americano no mundo árabe. O lugar onde os Estados Unidos são mais admirados. Estudantes de toda a região – e mesmo de várias partes do mundo – vêm fazer faculdade aqui.

As aulas são todas em inglês. O campus é similar ao de universidades americanas, com campos de futebol, quadras esportivas, bibliotecas, lanchonetes e estudantes esparramados no gramado. Mas com algumas vantagens. A AUB tem praia. Que fica no próprio campus, que ocupa uma faixa de mais de um quilômetro em pleno corniche – uma das áreas mais nobres de Beirute. E a universidade vai do nível do mar até cerca de 100 metros de altura, numa encosta da capital libanesa, terminando no charmoso bairro de Hamra. Na rua Bliss, onde fica o portão principal, há inúmeros cafés, barzinhos e creperias.

Com o retorno das aulas hoje, os estudantes da AUB andavam pelas ruas e se reuniam em cafés com seus livros, Ipods, carros, namoradas e namorados, não muito diferente do que se poderia encontrar em Columbia, Berkeley, Yale ou Stanford. Em um bar, alguns disputavam um campeonato de gamão. Dá vontade de estudar aqui um tempo. Aliás, para quem tem interesse em estudos ligados ao Oriente Médio, a AUB tem um dos melhores mestrados em “Middle Eastern Studies”. Dura dois anos. Outra opção são os cursos de árabe durante o verão.

Um diploma da AUB vale muito não apenas no mundo árabe, como também nos Estados Unidos. Assim como o Mackenzie, de São Paulo, a AUB foi fundada por protestantes americanos no século 19 e formou grande parte da elite intelectual do mundo árabe. Durante a guerra civil, a universidade, que fica do lado muçulmano, abriu um campus no lado cristão para que os alunos da parte leste de Beirute não perdessem o ano. Ter feito AUB, aqui no Líbano, te coloca em um patamar especial. Está além das divisões religiosas. Na AUB, xiitas, sunitas, maronitas, ortodoxos, druzos e por muito tempo judeus sempre foram bem integrados e nunca levaram para dentro das salas de aula possíveis tensões do lado de fora envolvendo as suas religiões.

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