As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Vale a pena ir embora do Brasil e morar em outro país? Sim, se você seguir estas 6 regras

gustavochacra

23 Maio 2014 | 11h35

Vale a pena morar fora. Morei em 1993 quando fiz intercâmbio na Carolina do Sul. Morei novamente em Boston por uns meses em 1996, onde pretendia fazer faculdade. No ano 2000, morei na Argentina como correspondente da Folha. E retornei aos EUA em 2005 para fazer mestrado na Universidade Columbia em Nova York. Depois de me formar, passei a ser correspondente do Estadão no Oriente Médio por um ano e, posteriormente, em Nova York.

Em todas estas vezes, sem querer, levei em consideração cinco fatores necessários para viver e se adaptar ao exterior, para onde muitos amigos e conhecidos meus pretendem se mudar porque estão desiludidos. Estes cinco fatores são normalmente levados em consideração por parte dos imigrantes, mas nem todos. Mas devem ser observadores por todos que pretendam deixar o Brasil caso queiram ter uma boa experiência em outro país

1. Projeto

Tenha um projeto para vir morar no exterior. Pode ser um curso, abrir um negócio, treinar alguma modalidade esportiva ou trabalhar. Não ter um projeto e decidir vir para outro país para “morar” ou apenas “ir embora” do Brasil pode levar à pessoa, aos poucos, a se sentir inútil e passar os dias vendo séries na TV, checando o Facebook e tirando fotos para o Instagram. Sem falar que a pessoa tem de saber como ela irá se sustentar

2. Legalidade

Tente vir legalmente para o exterior. Veja qual modalidade de visto você poderia se encaixar nos EUA. É uma tarefa difícil, pois o visto de trabalho precisa ser patrocinado, por exemplo. O Green Card é ainda mais complicado e envolve questões tributárias mesmo se, no futuro, você decidir voltar ao Brasil. Na Europa, idem, a não ser para os vários brasileiros com cidadania italiana, portuguesa ou de outro país. O Uruguai, que está na moda, seria simples para quem não tem cidadania europeia ou residência americana por ser um país do Mercosul

3. Amigos

Quando se mudar, leve em consideração se você tem amigos no país, sejam eles brasileiros ou locais. O risco de se sentir sozinho é enorme e, mais uma vez, pode levar a pessoa a passar o dia nas redes sociais. A Flórida e Nova York levam vantagem neste sentido por terem já comunidades brasileiras expressivas. Quem vem estudar também tende a fazer amigos facilmente na universidade e, se for nos EUA, de dezenas de país diferentes. Cidades com muitos expatriados, como Hong Kong ou Dubai, também facilitam. Não é tão simples fazer amigos locais quando a pessoa muda depois dos 30, 40 anos, a não ser, insisto, se vier estudar

4. Língua

Se for mudar para o exterior, opte por um país no qual você tenha familiaridade com a língua. Não precisa ser fluência, pois esta virá com o tempo. Mas não arrisque ir para um país no qual não conheça nada da língua ou a população local não fale inglês. Por exemplo, o hebraico é difícil, mas em Tel Aviv você encontrará muitos serviços e pessoas fluentes em inglês. O mesmo se aplica a Beirute, onde a língua é o árabe, mas parte expressiva da população fala inglês ou francês. Mas, sem falar inglês ou turco, é difícil morar na Nova Zelândia ou na Turquia

5. Gostar

Leve em conta que não basta apenas estar desiludido com o Brasil para morar no exterior. É preciso gostar do país para onde você pretende ir. Normalmente, ter viajado várias vezes contribui. Mas o dia a dia, quando moramos, não é igual a uma viagem de alguns dias ou semanas. Em Nova York, ao longo destes nove anos, vi pessoas que se apaixonaram pela cidade e decidiram nunca mais voltar. Mas vi muitas que, depois de um ou dois anos, não paravam de reclamar e fizeram de tudo para retornar a São Paulo ou outro lugar do Brasil. Ficaram desiludidas com os EUA. Isso também acontece

6. Família

Caso você tenha dependentes, lembre que não é apenas você, mas outras pessoas também que virão para o exterior. Seu filho deixará os amigos da escola, do prédio e do clube para trás. Precisará se adaptar a uma nova escola e pode sofrer inicialmente por ser imigrante ou não falar bem a língua. Sua mulher ou seu marido terá largar, talvez, uma carreira no Brasil para não ter muito certo o que fará no exterior. A decisão deve ser em conjunto

Apenas comentários do post do dia ou do post prévio serão publicados

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

Comentários islamofóbicos, antissemitas, anticristãos e antiárabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

Acompanhe também meus comentários no Globo News Em Pauta, na Rádio Estadão, na TV Estadão, no Estadão Noite no tablet, no Twitter @gugachacra , no Facebook Guga Chacra (me adicionem como seguidor), no Instagram e no Google Plus. Escrevam para mim no gugachacra at outlook.com. Leiam também o blog do Ariel Palacios