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Vamos ser claros – O governo Obama NÃO apoia uma intervenção militar na Síria

gustavochacra

31 Maio 2012 | 17h28

no twitter @gugachacra

Vamos ser claros. Os Estados Unidos não defendem uma intervenção militar na Síria. O governo americano tampouco apóia o armamento dos grupos opositores. A Casa Branca sequer aceita o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea. Na verdade, segundo o porta-voz da Barack Obama, o envio de militares para o território sírio apenas aumentaria o “caos e a carnificina”.

Por este motivo, os EUA não condenam a Rússia por Moscou se opor a uma ação militar contra o regime de Bashar al Assad. Na verdade, Hillary Clinton apenas critica Vladimir Putin por apoiar o líder sírio na sua repressão. Os russos realmente armam o Exército de Damasco.

Na avaliação da embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, o cenário é literalmente o mesmo que descrevo aqui. A Síria ruma para uma guerra civil, com cada vez mais caráter sectário e com a provável difusão para países vizinhos.

Para Obama, uma ação na Síria não traria benefício algum. Ao contrário, em Washingto existe um temor de que o futuro governo sírio seja extremista, indo mais para o lado saudita do que para o turco. A população americana não se interessa pelo assunto e está cansada de guerra. A operação, que enfrentaria inúmeros obstáculos, parecendo mais o Líbano dos anos 1980 do que a Líbia de agora, forneceria munição para os adversários republicanos. E Mitt Romney tampouco se importa com a Síria. Ele quer discutir a “Economia do Obama” na campanha.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios