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Veja 4 esclarecimentos importantes sobre acordo EUA-Irã

gustavochacra

25 de novembro de 2013 | 12h33

Há quatro esclarecimentos necessários para entender o acordo assinado neste sábado entre o Irã e os membros do Sexteto, comporto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido), mais a Alemanha.

Leia também – Manual para entender o acordo entre EUA e Irã

1. O Acordo é interino, não definitivo

Este acordo tem duração de seis meses, com possível prorrogação por mais tempo caso os dois lados concordem. As obrigações de cada lado visam estabelecer confiança e não seriam os termos de um acordo definitivo, se este vier a ser assinado

2. O Acordo não permite que o Irã tenha uma bomba atômica, mas tampouco impede definitivamente

O Irã ficou mais distante, e não mais perto, de uma bomba atômica. O país precisará diluir seu urânio enriquecido a 20% e poderá enriquecer apenas até 5%, bem abaixo do necessário para desenvolver um armamento nuclear. Suas centrífugas mais modernas não serão instaladas. As obras em Arak, uma instalação que pode abrir caminho para o Irã produzir uma bomba pela via do plutônio, foram suspensas temporariamente. Para completar, tudo será monitorado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em troca, parte de dinheiro do Irã no exterior será descongelada. A quase totalidade das sanções foi mantida e, se Teerã não cumprir sua parte, novas sanções ainda mais duras serão implementadas. Isto é, o abrandamento foi limitado, temporário e reversível

Portanto o Irã hoje está mais distante de uma bomba atômica do que na semana passada. Se não houvesse acordo, como defendiam Israel, Arábia Saudita e membros do Congresso dos EUA, os iranianos instalariam as centrífugas mais modernas, manteriam o enriquecimento a 20% e em breve atingiriam o patamar de 90%, suficiente para produzir a bomba atômica. A instalação de Arak também ficaria próxima de ser completada. Tudo sem inspeções da AIEA

Por outro lado, se o acordo fracassar, o Irã mantém a infra-estrutura e o conhecimento necessário para retomar o seu programa nuclear. As centrífugas podem ser instaladas, o enriquecimento de urânio a patamares elevados ser retomado e as obras em Arak, na usina de plutônio, concluídas.

3. O Acordo não significa que haja paz entre EUA e Irã e nem o restabelecimento de relações diplomáticas

Os EUA e o Irã seguem sem manter relações diplomáticas. O acordo visou apenas a questão nuclear iraniana. Outros pontos da agenda envolvendo os dois países não foram discutidos. Por outro lado, há um canal de diálogo aberto entre o secretário de Estado, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores, Javed Zarif. Os dois países possuem interesses em comum no Iraque, no Afeganistão e no combate à Al Qaeda. Mas estão em lados opostos na Síria, no conflito entre israelenses e palestinos, em Bahrein e no papel do Hezbollah no Líbano.

4. O Acordo não é o rompimento de relações dos EUA e de Israel

Os EUA são o maior aliado de Israel. E Israel é o maior aliado dos EUA no Oriente Médio. Esta equação não mudou. Os dois países mantêm a mesma estratégia de impedir o Irã de produzir uma arma atômica ou de ter a capacidade de produzir este arsenal. A tática sim é distinta. O governo americano avaliou ser este o momento de negociar porque o novo presidente do Irã é moderado e conta com o apoio do aiatolá Khamanei para negociar. A janela para um acordo não duraria muito tempo, na visão de Washington. Já a administração de Benjamin Netanyahu achava melhor intensificar as sanções para conseguir um acordo ainda melhor com os iranianos no futuro.

Esta não foi a primeira vez que EUA e Israel se posicionaram em lados distintos em uma questão. Recentemente, por exemplo, os dois países divergiram sobre o futuro do então líder egípcio Hosni Mubarak e também na questão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, reivindicada pelos palestinos como território de seu futuro Estado