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Você acha certo os EUA lutarem contra o ISIS e ajudarem o Irã, Assad e Arábia Saudita?

gustavochacra

17 de setembro de 2014 | 14h30

Os EUA não deveriam fazer nada contra o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico, em visão que tem sido abordada por George Friedman, diretor da consultoria de risco político Stratfor, e Thomas Friedman (não são parentes), do New York Times.

Esta organização é um problema maior para o regime de Assad na Síria, para o governo do Iraque em Bagdá, para o Irã e, nos últimos tempos, também para a Arábia Saudita, Jordânia, Israel, Líbano e Turquia. Por que os americanos tem de pagar impostos e gastar bilhões para servir de soldado para defender regimes como o de Teerã e o de Riad?

O ISIS sem dúvida coloca os EUA entre seus maiores inimigos. Mas, neste momento, de acordo com os serviços de inteligência e de segurança em Washington, não haveria risco contra o território americano. Atentados podem ocorrer, claro, mas a Al Qaeda ainda seria o risco maior.

Vale lembrar que os EUA favoreceram indiretamente o Irã, o país é que seu maior inimigo, ao derrubar o Taleban, no Afeganistão, e Saddam Hussein, no Iraque. Ambos eram adversários do regime iraniano. E, em seus lugares, entraram governos aliados de Teerã tanto em Cabul como em Bagdá. Os EUA gastaram trilhões, perderam milhares de jovens nos campos de batalha e outros em suicídio, além das dezenas de milhares de americanos que se feriram e ficaram inválidos. Tudo para ver o Iraque de hoje, dividido entre um governo pró-Irã e o ISIS, ainda mais radical do que Al Qaeda. E o Afeganistão entre um governo corrupto pró-Irã e o Taleban.

Acho surreal os EUA gastarem centenas de milhões de dólares mais uma vez para combater o ISIS na Síria, correr o risco de não conseguir e, mesmo se atingir este objetivo, ver no lugar o regime de Assad ou a Frente Nusrah, que é o braço da Al Qaeda na Síria.

E o que ocorreria se os EUA não fizessem nada? Os americanos não fizeram nada na Guerra Civil da Argélia nos anos 1990, que envolvia de um lado um regime militar nos moldes do de Assad e do outro o Grupo Islâmico Armado, que tem um perfil próximo ao dos rebeldes sírios, com a diferença de não apenas ameaçar, mas na prática realizar atentados contra o Ocidente tendo como alvo a França. No fim, o regime venceu e muitos aqui nem sequer ouviram falar do GIA, que crucificava pessoas, estuprava melhores e decapitava jornalistas. O regime argelino? Como Assad, cometeu crimes contra a humanidade. E, como Assad, se manteve no poder. 

Além disso, os EUA poderiam resolver problemas internos. Melhor se focar em Detroit e não em Bagdá.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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