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Você ainda lembra da Líbia e de Kadafi? E você defendeu a intervenção da OTAN?

gustavochacra

20 Maio 2014 | 11h02

1. A Líbia era uma ditadura controlada por Muammar Kadafi por quase quatro décadas

2. Em 2011, nos vizinhos Tunísia e Egito, os ditadores Ben Ali e Hosni Mubarak respectivamente foram depostos em protestos

3. Na Líbia, manifestantes tomaram Benghasi, segunda maior cidade do país

4. Mas Kadafi continuou controlando Trípoli e outras áreas e ameaçou levar adiante uma ofensiva para recuperar Benghasi

5. Antes que conseguisse, a ONU aprovou uma resolução estabelecendo uma zona de exclusão aérea

6. A OTAN e países árabes do Golfo, responsáveis por implementar a zona de exclusão aérea, optaram também por armar opositores e levar adiante uma mudança de regime – esta parte não estava prevista na resolução da ONU

7. Meses depois, com um saldo de cerca 30 mil mortos (proporcionalmente, bem mais do que em qualquer momento do conflito na Síria), Kadafi foi deposto e, posteriormente, assassinado

8. Houve euforia, mas a Líbia começava a entrar em uma fase caótica

9. Diferentemente da Tunísia e do Egito, não havia um Exército forte e tampouco facções políticas e sociais organizadas

10. Na prática, a Líbia passou a ser controlada por centenas de milícias – ao todo há 1.700 grupos armados independentes, bem mais do que a Síria e o Iraque somados

11. Há um governo, mas extremamente fraco. Um ex-premiê, quando estava no poder, chegou a ser alvo se sequestra relâmpago

12. No meio do caos, o embaixador dos EUA acabou sendo morto pelas próprias milícias que foram apoiadas pelos americanos na deposição de Kadafi

13. Algumas milícias são nacionalistas. Outras, religiosas. Há separatistas. Grupos locais e étnicos

14. Uma das milícias, de viés nacionalista, tomou o Parlamento nesta semana

15. O comandante é Khalifa Hiftar. Ele foi general nos tempos de Kadafi até os anos 1980. Depois de uma fracassada intervenção militar no Chade, acabou rompendo com o ditador líbio e conseguiu asilo nos EUA. Viveu por anos na Virgínia onde, segundo relatos, teria sido treinado pela CIA. Voltou em 2011 e tentou ser comandante rebelde. Fracassou. Agora, mais uma vez, tenta conquistar o poder

Conclusão? A intervenção militar da OTAN na Líbia não impediu uma matança, não levou uma democracia estável ao país e hoje os líbios vivem em um território controlado por 1.700 milícias

 

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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