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Você apoia ou não a criação da Palestina? Se for contra, qual a sua sugestão?

gustavochacra

13 de fevereiro de 2014 | 13h11

Existem quatro opções para Israel

1. Um Estado palestino ser criado na maior parte da Cisjordânia, com os principais blocos de assentamentos próximos à linha de 1967 (o que inclui 80% da população de colonos) permanecendo com Israel. Em troca, os palestinos receberiam áreas adjacentes

2. Israel anexar a Cisjordânia (Judeia e Samaria, como queiram) e conceder cidadania para os cerca de 2 milhões de palestinos. Neste caso, a maioria judaica se reduziria e Israel perderia o seu caráter judaico, indo contra todo o ideal sionista

 3. Israel anexar toda a Cisjordânia, sem conceder cidadania para os 2 milhões de palestinos. Neste caso, seria uma política de Apartheid (milhões de habitantes sem direitos de cidadãos), com o isolamento internacional de Israel

 4. Israel poderia tentar expulsar os 2 milhões de palestinos em uma limpeza étnica, no que seria um crime contra a humanidade. Além disso, no processo, milhares de pessoas morreriam e haveria o risco de uma Terceira Guerra Mundial

A opção 1 é defendida por todo o mundo, incluindo todas as nações árabes, EUA, Europa, Brasil, ONU, Japão, Rússia, China, Honduras, pela maioria de israelenses e palestinos, pelo premiê Benjamin Netanyahu, por figuras de seu governo como o ministro liberal Yair Lapid

O opção 2 é defendida por intelectuais de esquerda de Israel e da Palestina, além de algumas organizações ativistas internacionais

 O opção 3 é defendida por alas mais à direita no espectro político de Israel, incluindo colonos e o ministro Naftali Bennett

O opção 4 é defendida mais por defensores de Israel que não vivem em Israel e muitas vezes sequer são judeus e compartilham de ideais anti-árabes e islamofóbicos

 Em qual você se encaixa? Eu sou a favor da 1. O Estado palestino seria na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Os principais blocos de assentamentos, próximos das linhas de 1967 (englobando 80% da população de colonos), permaneceriam com Israel. Os demais passariam para a soberania palestina, com os colonos tendo direito à cidadania palestina ou permanência como imigrantes. Os refugiados palestinos poderiam retornar para o futuro Estado palestino, mas não para Israel. Haveria compensação para eles e também para os refugiados judeus de países árabes. Jerusalém seria uma municipalidade unificada, mas capital de dois Estados. No caso palestino, seria mais simbólica, com a sede da Presidência, mas com a administração permanecendo em Ramallah. Israel poderia, como o próprio presidente palestino sugeriu, manter suas tropas na Cisjordânia por 5 anos. Depois haveria uma transição e a OTAN, comandada pelos EUA, passaria a assumir a segurança (não a ONU, como no sul do Líbano e no Golã). O Estado palestino seria desmilitarizado, conforme o próprio presidente palestino sugeriu

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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