As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Você apoiaria a vitória de Assad em troca da paz na Síria?

gustavochacra

11 Junho 2013 | 12h11

Conversando com as pessoas em Beirute, onde estive na semana passada, dá para saber que existem duas opções para a Síria. A primeira seria não intervir e ver a consolidação da vitória de Bashar al Assad. Esta seria a possibilidade de estabilização mais rápida da Síria. As tropas do regime têm avançado nos últimos meses. Nas áreas controladas pelo governo sírio, como a costa Mediterrânea, a vida é quase normal. Em Damasco, também está estável não fossem os atentados terroristas cometidos por grupos opositores.

O problema, nesta solução, seria jogar os direitos humanos no lixo, com crimes contra a humanidade sendo ignorados. Em segundo lugar, incentivaria outras ditaduras (ou mesmo democracias, certo Turquia?) a reprimir com violência a oposição. Por último, fortaleceria e muito o Irã e o Hezbollah, além do próprio Assad.

A alternativa seria armar a oposição e estabelecer uma zona de exclusão aérea. Esta ação certamente impediria uma vitória total de Assad. Por outro lado, tampouco garantiria uma derrota do regime. Mas, sem dúvida, alteraria a balança de poder, atualmente a favor do governo.

O problema, nesta solução, seria o radicalismo da oposição, com muitos grupos ligados à Al Qaeda, além de crimes de guerra, segundo a ONU, cometidos por diferentes facções rebeldes. Em segundo lugar, a queda de Assad não significaria o fim da guerra civil – dez anos depois da queda de Saddam Hussein e dois após a morte de Muamar Kadafi, o Iraque e a Líbia estão em guerra civil. Em terceiro lugar, provavelmente o futuro governo, dado o perfil da oposição, restringiria as liberdades religiosas de cristãos, de alauítas e também diminuiriam os direitos das mulheres – o regime de Assad, depois do Líbano, é o que mais respeita o cristianismo e os direitos das mulheres em todo o mundo árabe.

Faça a sua escolha. A Rússia optou pela primeira alternativa – vitória de Assad. A França e a Grã Bretanha cada vez mais rumam para a segunda – armar a oposição. Os EUA gostariam muito de optar pela segundo, mas realisticamente sabem que a primeira parece ser mais segura. 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

Comentários islamofóbicos, antisemitas e antiárabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

Acompanhe também meus comentários no Globo News Em Pauta, na Rádio Estadão, na TV Estadão, no Estadão Noite no tablet, no Twitter @gugachacra , no Facebook Guga Chacra (me adicionem como seguidor), no Instagram e no Google Plus. Escrevam para mim no  gugachacra at outlook.com. Leiam também o blog do Ariel Palacios