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Você assinaria um acordo com o Irã se fosse Obama?

gustavochacra

20 de novembro de 2013 | 16h28

O conflito envolvendo o programa nuclear iraniano já dura mais de uma década. Para os Estados Unidos, seus aliados europeus, seus aliados árabes, Israel e seus rivais China e Rússia, o Irã quer desenvolver uma bomba atômica. O regime de Teerã nega e diz que seu programa tem fins civis.

Como o Irã enriquece urânio em mais de 16 mil centrifugas, expandiu enormemente suas instalações nucleares e adquiriu capacidade para enriquecer urânio em patamares elevados, além de estar construindo uma usina de plutônio, tudo indica que o objetivo final seja uma bomba atômica, desrespeitando o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

A estratégia dos EUA e seus parceiros foi impor um regime de sanções duro. Ao mesmo tempo, a possibilidade de uma ação militar preventiva não foi descartada. Ainda assim, nos últimos anos, o programa nuclear iraniano continuou evoluindo.

Desde meados deste ano, porém, houve mudanças. Primeiro, assumiu um presidente que, segundo os próprios Estados Unidos, é bem mais moderado. A administração de Rouhani também deixou clara estar disposta a negociar porque a situação econômica chegou a um ponto intolerável. Seu governo já reduziu as atividades nucleares, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, e permitiu inspeções.

Diante deste cenário, com as negociações em Genebra, existem três possibilidades neste momento

 1)   Fechar um acordo com o Irã (EUA não assinariam algo ruim, tenham certeza)

2)   Incrementar as sanções, com a possibilidade de enfraquecer o Irã ainda mais em futuras negociações, mas com o risco de o regime de Teerã acelerar a sua busca pela bomba atômica e fique cético em relação a um acordo

3)   Realizar um ataque preventivo contra as usinas nucleares iranianos, com resultado incerto

Os EUA e seus parceiros ocidentais estão mais propensos à primeira opção. Congressistas americanos, Israel, Arábia Saudita e outras nações do Golfo acham a segunda melhor. A terceira seria uma surpresa, mas pode haver um acordo de israelenses e sauditas neste sentido

E vocês, são a favor de qual? Eu votaria na primeira opção, mas entendo os argumentos dos defensores da segunda. A terceira, na minha avaliação, seria um erro

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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