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Você concorda comigo que o mundo não está tão ruim?

gustavochacra

24 de junho de 2015 | 17h43

O mundo não está tão ruim quanto muitos podem achar. Sei que alguns dirão que escrevo este texto sob efeito de alguma droga recreativa adulta (não tomei) ou simplesmente estaria empolgado depois de passar uma semana em Berlim, uma cidade que, depois de sofrer com o nazismo e com o comunismo, certamente vive o seu melhor momento. Tem nove itens. Mas podem acrescentar mais. Se quiser discordar, discorde, mas não precisa me xingar ou ficar agressivo.

1. Terrorismo – Hoje há menos ataques terroristas do que no passado. Uma década atrás, explodiam metrôs em Londres, trens em Madri e boates em Bali. Israel sofria ataques terroristas quase diariamente na Intifada. Os EUA tiveram o 11 de Setembro e Oklahoma. Já os atentados atuais são os lobos solitários com alguma ideologia imbecil, como o supremacista branco de Charleston e os extremistas islâmicos da Charlie Hebdo e da maratona de Boston.

2. Grupos extremistas islâmicos – podem falar do ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Sem dúvida, uma organização que tem devastado a Síria e o Iraque. Mas, nos anos 1990, o Taleban devastou o Afeganistão e o Grupo Islâmico Armado devastou a Argélia em guerras sanguinárias. Não é novidade. O problema é que muita gente sequer sabe que teve uma guerra civil na Argélia nos há 20 anos na qual centenas de milhares de pessoas morreram.

3. Guerras –  Nos anos 1990, com Bill Clinton, era melhor? Será? Bom, Ruanda teve genocídio, com 800 mil mortos (quatro Sírias). Os Balcãs tiveram a Guerra da Bósnia e de Kosovo. E a Tchetchênia teve duas guerras tão sangrentas quanto a da Síria. Sem falar no Saddam Hussein massacrando curdos. E, claro, na Guerra da Argélia citada acima.

4. Intolerância – Sem dúvida aumentou na Síria. Mas diminuiu no Brasil, nos EUA, na Europa e em grande parte do mundo. Basta ver os números no apoio a casamento entre pessoas do mesmo sexo e na redução do racismo. Isso não significa que não exista homofóbicos, racistas e antissemitas. Mas estes agora são corretamente combatidos, o que não ocorria no passado.

5. Extremistas de direita – Citam exemplos da FN na França, do UKIP no Reino Unido e de facções do Tea Party nos EUA. Sem dúvida, são grupos que cresceram. Mas, com todos os seus defeitos, estes partidos não chegam perto de agremiações fascistas e nazistas da Europa de décadas atrás e jogam dentro da democracia

6. Extrema esquerda – Falam do risco de uma esquerda que transformaria o Brasil e outros países em comunistas. Bom, neste caso, compare com os anos 1970, quando a União Soviética, segunda maior potência do mundo, queria estabelecer regimes comunistas ao redor do mundo e movimentos revolucionários eram fortes na América Latina e Europa. Hoje Cuba restabelece relações com os EUA recebe comitiva de empresários. Sobrou a Coreia do Norte.

7. Rússia – Para começar, os russos não são mais comunistas. As relações com o Ocidente pioraram se comparado a anos atrás, mas estão longe de serem como na Guerra Fria. Putin não tem a intenção de dominar o mundo e apenas defende seus interesses, que obviamente não são os melhores, nas suas zonas de influência em países da ex-União Soviética.

8. China – Bom, a China hoje tem comércio com o mundo todo e integra a comunidade internacional. Continua sendo uma ditadura, mas obviamente não é como na época da Revolução Cultural.

9. Economia do Brasil – a economia não está no seu pior momento. Claro, no Brasil, talvez estejamos em um dos piores cenários desde 1999 ou mesmo 1992. Mas, convenhamos, é incomparavelmente melhor do que anos 1980 com a hiperinflação. Hoje realmente a inflação anual está acima da meta. Ainda assim, equivale o aumento de preço em um ano equivale a uma quinzena em 1989.

Apesar de tudo isso, temos sim de criticar a situação econômica do Brasil, a ditadura na China, o desrespeito aos direitos humanos na Rússia e na Arábia Saudita, os crimes de guerra em Gaza, o radicalismo de grupos como o ISIS e a intolerância de racistas, homofóbicos, antissemitas e islamofóbicos.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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