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Você defende a intervenção na Síria? Então compare com a Guerra do Iraque

gustavochacra

06 de maio de 2013 | 12h25

Veja meu comentário sobre a Síria na Jornal das Dez da Globo News

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Você acha que uma intervenção dos EUA na Síria serviria para acabar com a guerra civil? Bom, desta vez deixo o Fareed Zakaria, comentarista da Time da CNN, responder por mim

Durante a intervenção dos EUA no Iraque, “entre 2003 e 2012, apesar da presença de 180 mil soldados americanos de aliados, entre 150 mil e 300 mil civis iraquianos morreram, cerca de 1,5 milhão fugiram do país, grupos jihadistas floresceram com uma grande presença da Al Qaeda. (…) Havia 1,4 milhão de cristãos no Iraque antes da guerra, hoje há 500 mil. Os EUA estavam o mais engajados possível no Iraque e coisas mais terríveis aconteceram lá do que na Síria”.

Na Síria, são 80 mil mortos até agora, sendo que, ao contrário do divulgado em muitos lugares, são vítimas principalmente do regime de Bashar al Assad e de suas milícias Shabiha, mas também milhares ou dezenas de milhares deles foram mortos pela oposição. O total de refugiados atinge cerca de 1 milhão. E os cristãos, assim como os alauítas, estão majoritariamente ao lado do regime.

Antes que me esqueça, voltando ao Iraque, a quase totalidade dos refugiados foram para a Síria. Países como a Turquia, Arábia Saudita, Jordânia e Irã fecharam as portas para eles. Os EUA quase não deu abrigo para ninguém, apesar de ter sido diretamente responsável pela guerra ao invadir o país.

O regime de Saddam Hussei era péssimo? Horrível e não conseguiria dormir uma noite em Bagdá com ele no poder. Assim como a Arábia Saudita, aliada americana, também é horrível e ainda impõe um regime de apartheid contra as mulheres. Nem por isso as pessoas defendem a invasão de Riad.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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