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Você é a favor ou contra a quarentena do Ebola nos EUA?

gustavochacra

30 de outubro de 2014 | 12h45

Alguns Estados americanos, como Nova York, Nova Jersey e Maine, querem obrigar pessoas que tiveram contato com portadores do vírus Ebola a ficarem 21 dias em quarentena – tempo máximo para a doença se desenvolver – mesmo se elas não tiverem os sintomas. O governo federal dos EUA e o CDC, órgão responsável pela saúde, são contra a obrigatoriedade do isolamento das pessoas caso elas não tenham os sintomas.

A medida afeta acima de tudo profissionais da saúde que são voluntários e embarcam para a África com o objetivo de ajudar os pacientes. Além do período no exterior, eles ainda perderiam três semanas de trabalho caso fiquem sujeitos à quarentena.

A decisão dos Estados ocorreu depois de o médico Craig Spencer ter circulado por Manhattan e pelo Brooklyn, andando de metrô, indo a um restaurante e a um boliche, nas horas anteriores a ele ser diagnosticado com Ebola. Até agora, porém, ninguém foi infectado por ele, nem a namorada, embora a quarentena ainda não tenha se encerrado.

Mas a primeira pessoa a ser afetada pelas novas diretrizes foi a enfermeira Kaci Hikcox. Mesmo sem ter sintomas e com o exame de sangue dando negativo para o Ebola, ela foi isolada ao longo do fim de semana em uma tenda em um estacionamento de hospital em Nova Jersey. Posteriormente, foi liberada e viajou para o Maine, onde o governo local quer obriga-la a ficar em quarentena – ela não está respeitando a determinação.

O Ebola, como sabemos, se transmite apenas por fluídos corporais, como sangue, fezes e suor e, ainda assim, apenas depois de o paciente desenvolver sintomas, como febre. Mesmo nestes casos, a contaminação não é certo. O liberiano Thomas Duncan dormiu com a namorada três dias e dividiu o apartamento com familiares, com sintomas avançados, e mesmo assim ninguém foi contaminado. As duas enfermeiras contaminadas por ele não seguiram um protocolo rígido e eram as responsáveis pela limpeza higiênica dele, tendo contato intenso com vômitos, fezes, sangue e urina. Ambas já estão curadas.

Diante destes fatos acima, pergunto – você é contra ou a favor da quarentena para pessoas sem sintomas que retornam de áreas afetadas pelo Ebola na África? Lembro que eu sou contra a obrigatoriedade da quarentena e peguei o metrô da linha A em Nova York no mesmo dia e horário que o médico Craig Spencer. Acho que o Estado não pode coibir a liberdade de ir e vir de um cidadão se ele não é criminoso e não oferece riscos à saúde pública. Estou ao lado do governo federal dos EUA (administração Obama) e do CDC e contra os governos estaduais de Andrew Cuomo (NY)e Chris Christie (NJ).

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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