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Você sabia que membro de regime sanguinário pode presidir a FIFA?

gustavochacra

25 de fevereiro de 2016 | 11h11

Um integrante da família real que comanda uma monarquia ditatorial absolutista sanguinária no Oriente Médio é o favorito para dirigir a FIFA. Depois de 20 anos de Joseph Blatter e outras tantas décadas de João Havelange, esta entidade corrupta que rege o futebol internacional aparentemente pode permanecer atrelada ao passado, sem evoluir, apesar de todos os escândalos e prisões.

O xeque Salman bin Ebrahim al-Khalifa pertence à dinastia Al-Khalifa, que governa Bahrain como se fosse um feudo. São sunitas, minoritários no país, e praticamente implementaram uma política de apartheid contra a maioria xiita da população. Em 2011, houve protestos pedindo democracia na Primavera Árabe. Estas manifestações foram reprimidas com violência e ajuda da Arábia Saudita. Os Estados Unidos, que mantém a sua Quinta Frota em Bahrain, evitaram se envolver, demonstrando uma hipocrisia gigantesca.

Milhares de pessoas foram presas e torturadas. Centenas foram mortas, incluindo jogadores de futebol. O xeque Salman, que dirigia a Federação de Futebol de Bahrain, uma nação com tradição zero na modalidade, é acusado de ter observado fotos para identificar atletas que posteriormente seriam presos – ele nega por meio de advogados. Atualmente, dirige a Confederação da Ásia.

É uma vergonha como existe tolerância com o vergonhoso regime de Bahrain, que também recebe corridas de Fórmula 1. Sem dúvida, Bahrain tem bem mais liberdades do que a Arábia Saudita, que praticamente controla o país. Mulheres podem praticamente andar da forma como quiserem e hotéis vendem álcool, normalmente para sauditas que usam o país como uma espécie de playground. No passado, a embaixadora de Bahrain nos EUA era mulher e judia. Mas isso não justifica as atrocidades cometidas pela família Al-Khalifa. Certamente, a FIFA, neste momento de busca de mais transparência, deveria buscar outro nome.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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