A corte de Dom José…Blatter

A corte de Dom José…Blatter

Jamil Chade

16 de junho de 2013 | 07h28

RIO DE JANEIRO – Cada vez que ele sai de seu hotel em Copacabana, quatro policiais em motocicletas e um carro com seguranças armados interrompem o trânsito na movimentada avenida Atlântica para que seu comboio possa passar, ao som de protestos e buzinas de motoristas que sequer sabem quem é a personalidade que vai passar.

Não se trata de um chefe de estado ou de um monarca. Trata-se do cartola suíço Joseph Blatter que, desde que chegou ao Rio de Janeiro na última quinta-feira, vem impressionando – e incomodando – pelo tamanho de sua delegação e a dimensão do dispositivo de segurança montado para protegê-lo.

Na Suíça, Blatter não tem esses privilégios. Conta com um carro com motorista. Mas não dispõe de qualquer tratamento diferenciado. Seja em Zurique ou em sua terra natal nas montanhas do Valais, o cartola não tem nem seguranças e muito menos alguém para segurar o trânsito.

Desde que chegou ao Rio de Janeiro, porém, sua movimentação pela cidade é radicalmente diferente. Na última sexta-feira, ao se reunir com a presidente Dilma Rousseff no III Comando da Marinha Regional no Rio de Janeiro, a delegação de Blatter se confundia com o próprio comboio da chefe-de-estado.

Para ir até o local militar, Blatter foi acompanhado por nada menos que sete carros, além das motocicletas abrindo caminho ao som de sirenes. Dilma chegaria logo depois, com uma caravana praticamente similar à de Blatter.

No hotel em que está hospedado, o Estado contou pelo menos dez seguranças para garantir sua proteção, entre homens da Polícia Federal, policiais locais e seguranças privados contratados pelo hotel e que circulam armados pelo lobby do local de luxo. Em cada saída sua, o dispositivo acionado lembra a de presidente de um país em visita oficial ao Brasil. Não são apenas seguranças, mas assessores, secretárias e sua equipe de imprensa.

Blatter, dono da Copa e tendo imposto uma série de exigências ao Brasil nos últimos anos para que o evento fosse realizado, sabe que pelo menos em um aspecto o Mundial já é um sucesso:  a Copa de 2014 será a mais rentável da história da entidade.

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