A crise na Fifa vai abrir uma caixa de Pandora no futebol?

Jamil Chade

05 de junho de 2015 | 07h28

Depois de ficarmos sabendo que as escolhas das sedes das Copas foram compradas por 24 anos e que até um gol irregular tem um preço – 5 milhões de euros –, preparei aqui uma série de perguntas que, um dia, gostaria de ter resposta.

Rejeito de forma categórica teorias da conspiração e, sinceramente, acho que a magia do futebol é que ela é feita por humanos. Ou seja, os erros, coincidências e fatos inexplicáveis tem seu espaço.

Ainda assim, vale refletir sobre algumas decisões das últimas décadas:

1. Em 1934, na Copa promovida por Mussolini, a Itália ficou muito perto de uma eliminação nas semi-finais, contra a Áustria. Mas, graças a um árbitro sueco, Eklind, a Azzura venceu no final com um gol irregular. Num estádio nacional em Roma convertido em um palanque fascista, Mussolini via seu sonho se realizar. No dia 10 de junho de 1934, a Itália enfrentaria a Tchecoslováquia. Para a surpresa dos adversários, o mesmo árbitro sueco que garantiu a vitória dos italianos contra os austríacos seria o juiz da partida decisiva.

Pergunta: não havia outra pessoa para apitar o jogo ?

2. O gol da Inglaterra em 1966 na final contra a Alemanha teve alguma relação com o fato de os “inventores” do futebol estarem jogando em casa em sua primeira Copa?

3. A conquista da Argentina em 1978 estava de fato relacionada com o esforço da Ditadura em se manter no poder?

4. Em 1982, por qual motivo um árbitro mudou de ideia sobre a validade ou não de um gol depois que um príncipe árabe entrou em campo, interrompeu o jogo e foi falar com ele? O jogo era França x Kuwait.

5. A decisão de levar Maradona, um crítico de Havelange e Blatter, para um teste de doping na Copa de 1994 foi de fato por sorteio? –

6. Na Copa de 2002, a Espanha teve dois gols legítimos no jogo contra a Coreia do Sul invalidados e acabou eliminada. Isso teve alguma relação com o fato de a Copa ocorrer na Coreia do Sul? Claro, o time da casa já havia sido beneficiado por outro árbitro nas oitavas de final ao enfrentar e eliminar a Itália.

7.  Em um país à beira de ir à guerra contra a Fifa, o árbitro japonês de Brasil x Croácia na abertura da Copa do Mundo de 2014 de fato acreditou que Fred sofreu um pênalti?

8. E finalmente: a recusa de usar vídeo ou replay para definir uma jogada é apenas uma insistência de cartolas conservadores ou tem alguma relação com permitir uma “margem de manobra” para decisões que possam vir de fora do campo?

A magia do futebol é a de que ele de fato nos surpreende. A magia do esporte é que, de fato, ele é feito por humanos. Essa lista de perguntas é totalmente pessoal, subjetiva e certamente injusta. Sei que cada um de vocês terá a sua. Não estou dizendo que acredito que a bola jamais entra no gol por acaso. Mas acho que, como torcedor, merecemos saber até que ponto estamos sendo manipulados.