A festa frustrada da Fifa no Brasil

Jamil Chade

22 de junho de 2013 | 13h51

RIO – No luxuoso hotel Copacabana Palace, a Fifa montou um sala sofisticada para sua cúpula descansar. Sofás, coqueiros, champanhe e os melhores chefs do Rio para alimentar os cartolas. Mas o local que era para ser de festa se transformou num espelho da crise que vive a organização da Copa.

Nos últimos dias, a sacada com vista para o mar vive às moscas e o telão gigante colocado para que os chefes da entidade possam ver os jogos apenas passa as imagens das manifestações. Nada de futebol.

As manifestações, a crise, as críticas e a transformação de estádios em verdadeiros palcos de guerra enterraram as esperanças da Fifa de vender a idéia da Copa no Brasil como um evento festivo.

Bem que a cúpula da entidade tentou ignorar a realidade: Joseph Blatter, presidente da Fifa, declarou na segunda-feira que o futebol era “mais forte que a insatisfação popular”.

No mesmo dia, foi a vez de Jerome Valcke, secretário-geral da Fifa, apostar que “bastará o Brasil ganhar a Copa para tudo ser esquecido”. Já na sexta-feira, questionado pelo Estado no Rio de Janeiro, ele foi contundente: o problema não é da Fifa, é do Brasil”.

Mas nada disso vingou. A alternativa foi a de se preparar para o pior. Ontem, presenciei no Copacabana Palace a gerência do hotel retirando dos mastros as bandeiras da Fifa que, há poucos dias, o local orgulhosamente colocou para mostrar que era um “hotel padrão Fifa”. O objetivo é o de evitar que manifestantes passem a apedrejar o hotel.

Blatter saiu do Brasil e deixou políticos plantados ao cancelar de última horas vários encontros que teria. Valcke evita o quanto pode sair às ruas, festas de patrocinadores foram canceladas, seleções foram orientadas a não fazer turismo e o torcedor precisa se deparar com escopetas, carros blindados e cavalaria nos estádios.

Enfim, a festa da “pátria em chuteiras” ficou para 2014…Isso se a Copa for mantida aqui.