Afetado por sanções, Irã sofre até com falta de uniforme na Copa

Jamil Chade

16 de junho de 2014 | 09h25

Rio – Cair num grupo com a Argentina na Copa do Mundo já não é um bom negócio para nenhum time do mundo. Muito menos quando sanções econômicas impostas sobre o país impedem até mesmo a seleção de disputar amistosos e até ter camisas suficientes para todo o torneio para seus jogadores. Essa é a situação do Irã, que hoje estreia na Copa de 2014 em uma partida contra a Nigéria.

O futebol é o esporte mais popular no Irã e, desde 1979, tem sido usado pelo governo como uma espécie de plataforma para mostrar a unidade do país. Mas o treinador português Carlos Queiroz que aceitou o desafio de preparar a seleção de Teerã admite que as sanções que existem contra o país são os maiores adversários do time.

O Irã negocia um acordo nuclear com o Ocidente, o que daria fim a décadas de um isolamento do país por parte da comunidade internacional. Em troca, porém, o governo iraniano precisa demonstrar que não está em busca de uma arma nuclear. Enquanto esse acordo não vem, bancos estrangeiros estão impedidos de fazer negócios com o Irã, emprestar dinheiro e empresas são convidadas a se retirar do país.

Queiroz é explícito: “a situação econômica e política colou o time do Irã em uma posição de desvantagem em relação aos demais”.

Sem dinheiro de patrocinadores, a seleção conseguiu realizar apenas um amistoso em 2014 antes da Copa do Mundo. O governo, também com sérios problemas de liquidez, cortou sua ajuda ao time.

Diante das sanções, o time do Irã alega que não conseguiu sequer sacar dos bancos cerca de US$ 200 mil em patrocínios para a preparação da seleção.

Enquanto isso, nas redes sociais, a piadas dos próprios iranianos sobre seu time se proliferam. Uma delas conta que, para enfrentar a Argentina, a seleção já encontrou o esquema tático perfeito. Jogará com o “11-0-5”. Ou seja, onze homens na defesa, ninguém no meio e as cinco divindades do Islã no ataque.

A situação é tão grave que a federação de futebol do país sugeriu aos seus jogadores que não troquem de camisas com os adversários depois do jogo. Motivo: a comitiva técnica não dispõe de um número grande de uniformes e simplesmente pode faltar. Se não bastasse, as camisas encomendadas de um fornecedor de baixa qualidade acabaram encolhendo depois de um treinamento.

Difícil, portanto, será pedir a um dos atletas a não querer trocar sua camisa com a de Messi quando os iranianos enfrentarem a Argentina. Esse pode ser o único prêmio que levarão do Brasil.