Amistoso de hoje da seleção dá prejuízo e organizadores suspendem aulas para lotar estádio

Amistoso de hoje da seleção dá prejuízo e organizadores suspendem aulas para lotar estádio

Jamil Chade

16 de outubro de 2012 | 06h16

 

Wroclaw, Polônia – A meta era de usar a seleção brasileira para começar a quitar a dívida das obras do estádio de Wroclaw, construído para a Eurocopa. Mas o projeto se transforma numa grande dor de cabeça e o jogo do Brasil hoje contra o Japão deixará um prejuizo milionário para a cidade ao ponto da prefeitura convocar escolas a suspenderem parte das aulas para levar os estudantes para preencher o estádio.

Se a CBF quiser conhecer um exemplo de um estádio que tem grandes chances de se transformar em um elefante branco, chegou no lugar certo. Pelas contas, o estádio que se transformou num símbolo dos exageros do país para a Eurocopa teria sua dívida superada apenas no ano 2034.

Num esforço desesperado para encher o estádio de Wroclaw, as autoridades polonesas suspenderam parte das aulas nas escolas e levarão ao jogo estudantes de toda a região que contribuírem com 10 euros. A decisão faz parte de uma medida de emergência diante da fraca procura por entradas.

O amistoso ocorre no início da tarde de hoje (horário europeu) um dia de semana na cidade e sequer envolve o time local. O horário do jogo –2 da tarde – foi estabelecido para atender a tevê japonesa, que mostrará a partida em horário nobre para a audiência em Tóquio.

Adam, um garoto que ontem passou o dia na porta do hotel da seleção, contou que já comprou o seu ingresso e que irá com sua classe. “Vamos perder a aula de matemática”, disse, sem enconder sua satisfação.  No sábado, na mesma estratégia de promover o jogo e evitar um desfalque importante para a seleção, o treino realizado por Mano Menezes foi realizado a portas abertas, enquanto os organizadores poloneses promoviam a partida até com trio-elétrico.

O estádio custou R$ 600 milhões e agora a prefeitura local se esforça para encontrar funções para a arena. O problema é que todos os eventos realizados por enquanto geraram prejuizos. Além de atrair a atenção mundial para a interiorana cidade na Polônia, a renda da partida seria usada para pagar por parte das contas do estádio. Mas o fracasso na venda de entradas e os custos da operação deixaram a cidade no vermelho.

Tóquio bancará boa parte dos custos, com 2 milhões de euros em gastos. O restante – cerca de 1 milhão de euros – ficaria a cargo da prefeitura. Pelas contas, o investimento compensaria.

Mas a programação feita pelos poloneses acabou se transformando em um fiasco financeiro. A cidade abriu mão de todos os direitos de imagem e dos lucros de tevês, que irão para os japoneses.

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